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TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC)



Explanação do Dr. Dagoberto Saraiva, médico psiquiatra, do CAPS Pedro Pellegrino, no Rio de Janeiro sobre o TOC:

“Paixões, manias, obsessões, compulsões, entre outros, pela linguagem coloquial, são vivências e comportamentos comuns não patológicos, que caracterizamos como alguma excentricidade no máximo, em alguns casos, ou particularidades, mas que, no consenso geral, não representam nenhuma anormalidade de saúde mental.
No entanto, em termos médicos, essas mesmas palavras têm outros significados. Em relação ao Transtorno Obsessivo compulsivo (TOC), obsessões e compulsões são alterações patológicas da atividade psíquica, e mania não tem conotação de hábito. Na verdade, o termo mania significa um estado de expansão e exaltação do humor (ex. euforia extrema), e que ocorre no Transtorno Bipolar, de forma que não se aplica a princípio no TOC.
Apesar dos termos científicos empregados para definir sintomas e nomear doenças psíquicas, às vezes estar presente na conversa do dia-a-dia ou até mesmo mudarem com os anos, não significa que a ciência médica condene peculiaridades de cada indivíduo, ou considere necessário tratar “o jeito de ser” das pessoas, nem estar criando novas doenças. Na verdade, doenças como o TOC são percebidas pelas pessoas, leigas e estudiosas, em praticamente qualquer período da história humana registrada. William Shakespeare (1606), com a tragédia de Macbeth, relatos na Grécia antiga e na história oriental documentam a existência de pessoas com essa doença atualmente conhecida como TOC.
Pela definição médica, obsessão é um pensamento ou idéia consciente (inclusive imagens mentais) intrusivos (invasivos; que se fazem presentes, independente da vontade), persistentes e recorrentes, que podem causar sofrimento, ansiedade ou ser inadequado. Ocorre, também, por expressão da vontade, tentativa planejada de ignorar ou suprimir tais pensamentos com uso de outros tipos de pensamentos ou ações não-compulsivos (essas tentativas volitivas não ocorrem constantemente). Esses pensamentos não são preocupações corriqueiras ou excessivas da rotina de vida.
Nesse sentido, é importante entender que a obsessão não é apenas uma cisma. Mesmo que uma cisma perdure na nossa cabeça, ela não está presente em todo momento e por vários dias. E uma cisma comum ainda apresenta uma lógica coerente.
Já a compulsão, pela medicina, é uma atividade cognitivo-motora (pode ser um pensamento ou movimento) secundária à obsessão, que é executada com uma sensação de obrigação ou necessidade, é repetitiva e criteriosa. Ou seja, pode ser um tipo de comportamento, atos motores, atos mentais (ex. lavar, organizar, contar, verificar, orar, repetir palavras mentalmente). A compulsão tem uma função de prevenir ou aliviar sofrimento causado pela obsessão, ou prevenir situações temidas; no entanto, não tem explicação coerente que demonstre como tal atitude seria preventiva.
Essa falta de lógica aparente nos sintomas obsessivos e compulsivos do TOC é muito frequente e evidente. Além disso, é comum encontrarmos pessoas com TOC que não perceberam que esses pensamentos e atitudes são irracionais ou que entenderam que tais manifestações são patológicas.
Outra coisa muito importante para se estabelecer um diagnóstico de TOC, é evidenciar algum comprometimento de âmbitos de vida importantes do indivíduo (profissional, familiar, conjugal...) ou desgaste acentuado. Isso é imprescindível, pois não se pode falar em doença que não cause danos ao paciente, de outra forma seria, de fato, criar doenças.
Em dados estatísticos, o TOC é caracterizado como uma doença um pouco rara. Ao redor do mundo, as estimativas mostram de 0,3 a 3,1% da população apresentam TOC, e a doença atinge homens e mulheres em grau bem próximo.
Outras doenças e síndromes podem confundir com TOC ou aparecer junto. Entre elas temos o Transtorno Dismórfico Corporal, Transtorno do Controle de Impulsos, Ruminações depressivas, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Personalidade Obsessiva-Compulsiva e Esquizofrenia.
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