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ANOREXIA ALCOÓLICA EXIBE CENAS NA NOVELA "VIVER A VIDA"

Bárbara Paes interpreta Renata na novela "Viver a Vida". foto: João Miguel Junior/TV Globo.
A personagem de Bárbara Paz, Renata, vai aumentar as preocupações de Miguel com relação à sua saúde. Em uma das cenas, ela vai passar mal e será diagnosticada com drunkolexia, ou anorexia alcoólica.Tudo começa quando Renata chega à casa de Miguel e vai direto correr na esteira, pois está se achando gorda. O problema é que ela mal dormiu durante a noite e bebeu muito sem comer nada. Renata então desmaia no meio do jardim.

Alertado por Dalva de que a namorada não está bem, Miguel chega no jardim já com Renata desmaiada. Ele a carrega no colo até o carro e segue direto para o hospital. Ela é examinada por Ellen, que constata a anorexia alcoólica. Miguel leva Renata para casa e, ao conversar com a mãe dela, Regina, descobre que o pai da namorada morreu por causa do alcool.

O QUE VEM A SER ANOREXIA ALCOÓLICA?
A anorexia alcoólica, também conhecida como drunkorexia (termo derivado do inglês), não é uma doença e sim um sintoma do alcoolismo. Caracteriza-se por perda de apetite provocada pelo consumo excessivo de álcool. É um tema controverso, já que há dúvidas a respeito de sua classificação: é um transtorno alimentar especificamente — muitas mulheres jovens preocupadas com a imagem corporal têm anorexia — ou uma deficiência metabólica, consequência de uma dependência química em estágio avançado?

O assunto está em pauta e será muito discutido na novela Viver a Vida, da Rede Globo. A personagem Renata, vivida pela atriz Bárbara Paz, foi diagnosticada com o distúrbio e sofrerá muito até aceitar que precisa de cuidados médicos.

A trama possibilita difundir informações, principalmente aos pais e responsáveis por meninas que possam apresentar indícios de distúrbios alimentares e/ou de consumo de álcool. Com essa identificação, é possível procurar ajuda mais cedo. Noventa por cento dos casos de anorexia nervosa são verificados em mulheres:
— Recusa em se manter no peso mínimo indicado para a altura e idade (ou um pouco acima disso), medo intenso de engordar, distorção da imagem corporal e alterações do ciclo menstrual sem causa aparente, associados ao consumo de álcool em substituição aos alimentos, são alguns sinais da anorexia alcoólica.

— A drunkorexia pode atingir mulheres por volta dos 20 anos que ingerem quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas e restringem a ingestão de calorias na tentativa de manterem-se magras. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alcoolismo acomete cerca de 12% da população feminina mundial.

— O álcool se torna uma forma de anestesiar as emoções negativas. Na busca por um corpo perfeito, a bebida é usada para reduzir a compulsão por alimentos e o apetite. Além disso, os efeitos do álcool amenizam os sintomas psicológicos e, quando ingerido com o estômago vazio, a ação é ainda mais rápida, tornando-o um "grande aliado".

— Mesmo sendo uma fonte calórica, o álcool substitui o alimento sob a forma de calorias vazias, pois não é utilizado eficientemente pelo organismo como uma forma de combustível.

— Tanto a digestão como a absorção das calorias são prejudicadas, já que a nutrição, nessas condições, ocorre sob a influência de um déficit de tiamina, vitamina B12, ácido fólico, zinco e aminoácidos.

— Com o metabolismo alterado, os micronutrientes (folato, tiamina, piridoxina, vitamina A, vitamina D, zinco, selênio, magnésio e fósforo) sofrem alterações. Entre as consequências, estão distúrbios nutricionais importantes com alterações orgânicas como arritmias, convulsões, doenças neurológicas, anemia, distúrbios menstruais e alterações da tireoide. Além da perda de apetite, complicações como esofagite, gastrite hemorrágica, hepatite alcoólica e diabetes podem ocorrer.

— O tratamento é feito com terapia comportamental e acompanhamento nutricional para controle das duas doenças associadas: o transtorno alimentar e o alcoolismo. São necessárias estratégias como trabalhos de grupo, reuniões do Alcoólicos Anônimos e avaliações clínicas para medir e tratar os prejuízos orgânicos.
Fonte: Patrícia A. de Oliveira, médica-nutróloga responsável pela Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital Bandeirantes, em São Paulo.


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