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HIPOCONDRIA



Pode-se achar que, ao ver o resultado negativo dos exames realizados, o pretenso enfermo desistirá, mas não é o que ocorre na maioria das vezes, pois ele geralmente prefere acreditar que os mesmos estão errados. Muitas vezes o real problema do paciente é o seu emocional, abalado e carente, uma vez que ele se sente não compreendido por seus familiares, ou despojado do devido valor. Em alguns casos, o indivíduo sente a necessidade de chamar a atenção, tornar-se o centro das preocupações e ser liberado de suas tarefas. É muito difícil para o psiquiatra avaliar devidamente esta doença e medicá-la, pois estas pessoas não se acham psiquicamente doentes, portanto elas dispensam facilmente qualquer ajuda psiquiátrica.

O hipocondríaco pode privilegiar um órgão do corpo e nele concentrar todas as suas desconfianças – por exemplo, ele pode suspeitar do coração, ou do aparelho digestivo. O mais complicado para o médico é tranquilizar este paciente, por mais confiança que inspire a relação entre ambos, pois o suposto doente está mergulhado profundamente em sua obsessão. Aliás, alguns casos de hipocondria ou nosomania são associados a comportamentos obsessivo-compulsivos, pois os enfermos apresentam uma idéia fixa e se tornam compulsivos no hábito de marcar consultas sem cessar e na prática de visitar constantemente os médicos e os sistemas de saúde. Mas os portadores deste distúrbio não deliram, conservam uma certa racionalidade, pois normalmente admitem que estão sendo excessivos em suas preocupações, embora não consigam aceitar a idéia de que não estão enfermos.

Estatisticamente pode-se dizer que de quatro a cinco por cento dos pacientes que procuram o sistema de saúde estão na verdade com um distúrbio de hipocondria, o qual se torna um obstáculo para o desenvolvimento pessoal e profissional dos que são atingidos por ele, muitas vezes desencadeando uma doença real. Este problema emocional também pode estar conectado a episódios de ansiedade. Alguns pacientes revelam igualmente traumas do passado, ou seja, de uma enfermidade grave que lhes acometeu tempos atrás, especialmente no período da infância. Essa lembrança é desencadeada normalmente por um episódio que envolve um alto teor de estresse, o que pode se dar em qualquer faixa etária, sexual e social. Porém, encontra-se com mais frequência em jovens adultos e pode se prolongar por um longo tempo. Em raros casos o sujeito finge estar enfermo para obter algum lucro, seja o acesso a uma droga determinada ou um ganho financeiro. Já o hipocondríaco realmente crê estar com uma doença.

A mídia, principalmente a Internet nos dias atuais, leva ao paciente um maior conhecimento sobre as doenças e seus sintomas, o que contribui para que ele somatize ou se sugestione. Não é difícil perceber quando um paciente está com sintomas hipocondríacos, pois o médico percebe, através de suas queixas constantes, da análise de sua ficha com a história de seus problemas médicos, nos exames orgânicos e laboratoriais, o que realmente está acontecendo com ele. O hipocondríaco pode sentir um pouco de alívio se tomar um antidepressivo, mas é preciso avaliar se há algum outro distúrbio psíquico envolvido. Se houver sinais de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o enfermo pode ser tratado com os mesmos medicamentos usados para este problema, como a Fluoxetina. Uma boa terapia, principalmente a cognitiva comportamental, pode se revelar muito eficiente para ajudar os portadores de hipocondria. Outro ponto importante é a relação entre o médico e o paciente, uma vez que a atitude deste profissional, ouvindo pacientemente as queixas do hipocondríaco, permitindo que ele volte regularmente, reduzem sua ansiedade. (www.infoescola.com)
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