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TIMIDEZ É DOENÇA?


A primeira informação a ser dada sobre este assunto é: Timidez não é transtorno mental.

Por que não é transtorno mental? Porque não se encaixa em certos critérios e, por isso, não figura nos códigos da Classificação Internacional de Doenças - 10a. Edição (CID-10) da Organização Mundial de Saúde, e nem no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 4a. Edição (DSM-IV), da Associação Americana de Psiquiatria. Esses critérios envolvem o sofrimento ou a incapacitação presentes ou o risco de agravamento.

Se Timidez não é transtorno, o que ela é então? Há duas maneiras de se explicar o que é Timidez: A primeira, usada pelo senso-comum, é pela descrição dos sinais e sintomas que se destacam na pessoa. A segunda, pelo que se passa dentro da pessoa portadora de Timidez.

Pelo senso comum, a Timidez é um padrão de comportamento caracterizado pela inibição em certas situações, podendo ser acompanhado de algumas alterações fisiológicas, como aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos. Em outras palavras, é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) os pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente. Esta maneira de explicar a Timidez é também usada em várias abordagens da psicologia e de psicoterapia.
A outra maneira de explicar o que é Timidez, é descrever o que se passa dentro da pessoa. Embora esta seja uma área complexa, como são todos os processos psicológicos, alguns pontos se destacam:
-- Reconhecimento da dificuldade em interagir com as pessoas ou em situações sociais.
-- Anseio de mudar, ou seja, o anseio de liberdade.
-- Presença de desacordos internos. Ao lado do anseio existem barreiras que impedem a livre expressão de pensamentos, sentimentos, emoções. Dependendo do peso relativo do anseio e das barreiras, a dificuldade é maior ou menor, restrita a certas situações ou extensiva a muitas.
-- A dificuldade não gera grande sofrimento e tampouco compromete de forma significativa a realização pessoal.
-- Presença de sentimentos e emoções que se exprimem intensamente em fantasias. Uma vez que os sentimentos não são expressos integralmente na vida real, tal represamento faz com que as fantasias se tornem muito mais intensas e frequentes. Nas fantasias as barreiras não existem.

Desacordos internos, forças antagônicas como essas (anseio e barreiras), geram sensação de ameaça, de perigo, chamada ansiedade. A ansiedade se exterioriza de diversas maneiras, dependendo de particularidades dessas forças - uma das expressões, como no caso da Timidez, é inibir, bloquear os canais de comunicação. Ou seja, em certas situações, as barreiras superam o anseio ou convivem com ele lado a lado.

Esses processos internos têm vários tipos de explicações pormenorizadas, segundo a Teoria da Personalidade que se adota. Cada Teoria da Personalidade procura explicar a formação das características das pessoas, as razões que levam o ser humano a ser deste ou daquele jeito. Desvios nesse desenvolvimento causariam problemas ao indivíduo. A Timidez, um desses desvios, pode ser explicada de diferentes maneiras, dependendo da teoria que se adote. As informações dadas aqui não se baseiam em nenhuma dessas teorias, mas contêm elementos de várias.

De qualquer forma, seja pela visão do senso comum, seja pela visão do processo interno da pessoa, a Timidez não compromete de forma significativa a realização pessoal, mas exprime um empobrecimento na qualidade de vida. Isso pode ser notado em situações sociais diversas. Exemplos: dificuldades, mas não impossibilidade, em participar de atividades em grupo, de praticar esportes coletivos, para falar em público, para fazer uma pergunta em sala de aula, ao abordar alguém para namoro ou relação íntima, em escrever o que pensa, ao falar com alguém em posição de autoridade, para divertir-se em público, e assim por diante (www.timidez-ansiedade.com).
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