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FOBIA SOCIAL


A Fobia Social é o excesso de ansiedade ou medo sofrido por certas pessoas quando observadas por terceiros durante o desempenho de alguma tarefa comum como falar, comer, dirigir, escrever, por exemplo; a ponto de impedir ou prejudicar significativamente a realização dessa tarefa.

Existem duas formas básicas de se definir sintomas psiquiátricos: quanto a qualidade e quanto a intensidade. Quanto a qualidade posso citar o delírio. Ninquém delira em circustâncias normais, o delírio é sempre patológico. Quanto a intensidade posso exemplificar com a tristeza. É normal ficar triste com a perda de algo ou alguém de valor ou próximo. Mas se essa tristeza se extende por várias semanas e é agravada por outras alterações como perda do interesse pelo que gostava, perda de peso, insônia, sentimentos de culpa, pessimismo, incapacidade de concentração, etc, podemos afirmar que pela intensidade essa "tristeza" é patológica, classificando-a como depressão no sentido psiquiátrico. No primeiro caso não há continuidade entre o normal e o patológico, no segundo caso existe e a Fobia Social pertence a esta esta segunda classe sendo caracterizada pela reação desproporcional ao estímulo de ansiedade.

A Fobia Social é essencialmente o excesso de ansiedade enquanto se está sob o olhar de uma ou mais pessoas, pois não podemos afirmar que existam duas qualidades de ansiedade, uma normal outra patológica. A Fobia Social portanto não pode ser identificada sem seu estímulo, sem a circunstância social, sem a situação desencadeante porque a definição de exagero depende do referencial.

Além da desproporcionalidade há também outro critério: a duração da ansiedade. Uma pessoa normal que irá apresentar-se perante uma platéia ficará tensa, contudo esta tensão depois de uns 15 minutos passa, e o palestrante adquire confiança e segurança. Com o fóbico social isso não acontece, os sintomas de ansiedade permanecem ou podem até aumentar durante a exposição, com isso o paciente acaba interrompendo sua dissertação, diz que está sentindo-se mal, ou simplesmente abandona o local numa verdadeira fuga, sem dar nenhuma satisfação.

Com esses dois critérios a identificação da Fobia Social não costuma ser difícil.

Normalmente, os sintomas se relacionam com o foco da fobia. Por exemplo, sendo o foco falar com o chefe ou perante uma platéia o fóbico social pode não conseguir falar nada. Sendo para escrever suas mãos podem ficar trêmulas a ponto de impedir que se escreva, a menos que encontre um lugar onde possa escrever ou assinar sem ser observado. Quando o paciente vê que as pessoas perceberam sua ansiedade o grau de tensão se eleva enormemente alimentando ainda mais a ansiedade. Os sintomas específicos costumam ser acompanhados por sintomas inexpecíficos como palidez ou ruborização, taquicardia, sudorese profusa, extremidades frias, tremores, tonteiras, enjôo e outros sintomas ligados a descarga adrenérgica. Não é raro o paciente ter uma crise de pânico se insistir em enfretar o problema por suas próprias forças, ou quando foi pego de surpresa.

Na Fobia Social não existem fases, ela tende a ser a mesma durante todo o tempo desde o início da manifestação, pequenas mudanças podem ser observadas como o surgimento de um novo foco da fobia (antes era só para falar, agora para escrever também), ou quanto ao sintoma dominante, antes o que mais sentia eram tremores, agora a sudorese é mais intensa que os tremores por exemplo.

Os fóbicos sociais sempre sabem que têm algo diferente da maioria das pessoas, mas não sabem que se trata de um transtorno, muito menos que tem tratamento, senão a atitude deles seria diferente.

A partir dos grupos sociais com que convive começa a perceber que é "tímido" demais, é considerado o "bonzinho" do grupo, o que nem sempre condiz com o que se deseja. A partir daí o paciente começa a desconfiar de que sofre algum problema.

Como a ansiedade é sempre uma sensação desagradável, costuma levar à pessoa um comportamento direcionado para a resolução do problema. Assim, o fóbico social tende a observar as pessoas em volta e percebe que seus sentimentos de vergonha ou temor de ser observado estão exagerados. Se for uma Fobia leve, ele interpretará como timidez, se for grave ele irá buscar ajuda. Quando não o faz começa a aceitar-se com é, gerando sentimentos de inferioridade e submissão. O fóbico social sempre reconhece seu valor e sua capacidade, sabe que é tão bom ou até melhor em certas funções que seus colegas, mas na hora de manifestar sua idéia é incompetente, prejudicando sua imagem. Com o tempo passa a não manifestar-se nem pelo que é justo, apenas a aceitar o que é determinado ou imposto.

A Fobia Social começa de forma muito discreta, dificilmente os pacientes apontam uma data ou evento a partir de quando começou, ao contrário do Transtorno do Pânico. Isto na maioria das vezes ocorre no início da idade adulta, quanto a personalidade e os traços de comportamento estão em fase final de consolidação. Talvez por isso muitos fóbicos sociais tendem a achar que seu problema é algo que faz parte de "seu jeito de ser", ou de sua personalidade. Não há unanimidade quanto diferença de incidência por sexo. Alguns estudos apontaram uma predominância no sexo masculino mas isto não foi sempre confirmado, de maneira que ainda não há uma posição definida.

As crianças também podem ser atingidas pela Fobia Social, a manifestação é igual a do adulto. A melhor maneira de ajudar é compreendendo-a em sua limitação, sem cobranças ou exigências relacionadas ao seu problema. O tratamento medicamentoso é indispensável também para elas. O tratamento das crianças é muito mais importante do que no adulto, pois nessa fase a criança não tem auto-crítica aceitando passivamente os comentários externos. Uma criança com Fobia Social será tratada e considerada pelos colegas como uma "bobona". Com o tempo ela mesma se convencerá disso e talvez essa autoimagem negativa se transmita para a idade adulta, tornando um potencial adulto produtivo numa pessoa sem iniciativa e manipulável.

Não há estudos epidemiológicos no Brasil sobre a Fobia Social, não temos como saber se alguma região é mais afetada que outra.

Tenho visto resultados muito disparatados, alguns estudos apontam até 13% de prevalência da Fobia Social na população geral. Isto só pode ser uma grave erro metodológico. Os tratados de psiquiatria aceitam uma taxa média de 2,4% de prevalência. Mais estudos são necessários para se confirmar essas taxas.

Os familiares e amigos geralmente percebem submissão, vergonha ou timidez do fóbico social, mas por assemelhar-se muito ao comportamento normal as pessoas próximas não desconfiam que o fóbico social está sendo vítima de um transtorno de ansiedade. A Fobia Social por sua própria natureza faz com que o paciente não se queixe de seu problema, esconda-o, culpe-se por eles e isole-se em sua dor incompreendida. Quando a Fobia Social prejudica a rotina de um familiar, muitas vezes, é considerada exagero ou "frescura", algo que a pessoa não muda porque não quer principalmente quando o paciente é uma mulher (os homens são menos compreensíveis). Muitas vezes a sugestão de se buscar um terapêuta é feita de forma debochada, em tom de desprezo o que acaba levando o paciente a não buscar tratamento.

A família e os amigos podem ajudar o fóbico social, basta que sejam compreensíveis, aceitem bem o problema, e como no caso da criança, não crie exigências que o paciente não possa atender por causa da Fobia Social. Isto é suficiente.

Apesar de ser um problema aparentemente pequeno, ainda mais por ser de fácil tratamento, as consequências do não tratamento podem ser dramáticas. Conhecemos vários fóbicos sociais que deixaram de se formar na faculdade ou num curso de especialização porque no final seria necessário uma apresentação para a turma e isto seria intolerável. Conhecemos também pacientes que recusaram promoções no trabalho apesar de saberem que eram competentes o suficiente para a função, deixando de ganhar mais e bloqueando sua ascenção na empresa, unicamente pelo medo de terem que falar em reuniões de trabalho. Casamentos que se fazem pela submissão de um dos conjuges devido a Fobia Social também são muito comuns. O problema nesses casos é quando o marido ou a mulher descobrem o tratamento e passam a recusar o domínio exercído durante anos. Quando não há suficiente amor esses casamentos se desfazem. Alguns pacientes preferem retornar a condição de fóbico social para não acabar com o casamento. Por começar no início da idade adulta, a Fobia Social se não for tratada levará a consequências para o resto da vida, porque neste período são tomadas as decições que direcionarão a vida de cada um.

Até o momento o tratamento medicamentoso e a terapia comportamental cognitiva são os melhores. Pode-se realizar inclusive uma combinação de ambos os tratamentos para os pacientes que não obtêm uma resposta satisfatória com um tipo de tratamento isoladamente. O tratamento medicamentoso começa a fazer efeito logo nos primeiros dias, mas os sintomas voltam quando se suspende as medicações. Já a terapia comportamental cognitiva demora a fazer efeito, mas o paciente poderá ficar livre dos sintomas depois de suspenso o tratamento.

A terapia comportamental exerce um descondicionamento gradual das situações fóbicas, expondo de forma controlada o paciente ao estímulo fóbico, a fim de dessensibilizar o paciente. Com o tempo o paciente passa a viver a situação fóbica como outra pessoa qualquer. Assim como as medicações não resolve, 100% dos casos a terapia comportamental também não.

Existem vários testes de avaliação da Fobia Social, é difícil dizer qual o melhor. O teste de Liebowitz, o psiquiatra norte americano quem primeiro estudou com mais detalhes o problema, costuma ser o mais usado. (fonte: http://www.psicosite.com.br/)
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