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Conheça Melhor o Que Rola na Química dos Sentimentos

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Partindo de uma matéria, lida por mim em uma revista que me reservarei o direito de não citar, resolvi escrever sobre minhas impressões a respeito do assunto, que defende a teoria  de que, os sentimentos tem origem cerebral, que tudo não passa de pura bioquímica.

Os sentimentos, podem ser divididos em primários e secundários. Os primários são aqueles inerentes a todos os animais incluindo o ser humano e são seis, sendo eles: medo, surpresa, raiva, alegria, tristeza e nojo, os secundários são  estruturas cerebrais próprias dos seres  humanos e são eles: compaixão, culpa, ciúme, vergonha, desconfiança... Amor. Esses sentimentos ditos secundários e próprios dos humanos,são assim por  serem moldados por influências morais, sociais e culturais.
Assim,  seguiremos agora falando de forma isolada dos respectivos sentimentos.

Alegria é um sentimento que dividiremos em dois momentos, pois é assim que ela se apresenta:
Alegria  eufórica aquela em que há uma explosão, assim como numa comemoração de um gol, é causada por um Neurotransmissor chamado Dopamina e que precisa ser contido. E para evitar que o individuo sofra  um colapso, o organismo diminui a produção, sendo essa diminuição, obra de um analgésico natural, chamado de Opióides, assim, iniciando a segunda fase da Alegria  que é aquela mais serena em que a vida está tranquila. As duas fazem o processo de estimulação e realização sexual. O antes, o durante e o ápice do ato sexual, deve-se principalmente à Dopamina e o depois, ao momento de relaxamento e satisfação que é creditado aos Opioides. Só que o tablóide se esquece, ou por outro motivo deixa de dizer que, algum estimulo ou sensação é responsável pela liberação destes Neurotransmissores e ai entra as sensações auditivas, olfativas, visuais palatais e tatuais o que nos deixa no momento diante da dúvida sobre quem é a causa e quem é o efeito, o sentimento libera os neurotransmissores ou os neurotransmissores fabricam sentimentos, me parece mais coerente  que, estes sejam liberados diante dos estímulos  e sensações  sendo portanto fator secundário, mas, comprovadamente pela ciência,   parte do processo de sentir, sendo assim cerebral por se processar no cérebro, mas, com alguns fatores externos que classificaremos aqui como de suma importância.

Medo, assim como,  na Alegria e nos sentimentos que nos reportamos a seguir,  os estímulos fazem parte do processo. O medo é aquela situação em que sentimos a necessidade de fugir, o perigo se faz presente e é hora do organismo reagir, então o tronco cerebral ordena que o coração bombeie mais sangue,  os pulmões mais oxigênio e as glândulas supra renais  secretem altas doses de adrenalina — neurotransmissor responsável pelo sentido de alerta e fuga —  deixando assim, o corpo pronto para uma reação, que pode mesmo, ser a de ficar imóvel dependendo da ameaça a se enfrentar.

A raiva é bioquimicamente relacionada a ação da Noradrenalina  e da Dopamina  nos circuitos relacionados ao stress, os neurotransmissores combinados fazem com que o individuo sinta a raiva que se parece com a Indignação sendo que, a Indignação é o que chamamos no inicio do ensaio de sensações secundárias, sendo portanto própria dos seres humanos. Envolve a participação de circuitos cerebrais responsáveis pela elaboração de conceitos morais, como injustiças e violações de normas sociais , e por se tratar de um processo cultural, pode ser sentido de forma diferente, pois o que indigna uma pessoa pode não causar estranheza a outras e portanto não causar indignação.

Tristeza  bioquimicamente falando é a redução dos níveis de Serotonina, pode ser causada por perdas, saudades e é diretamente proporcional ao tamanho da perda e o tempo de ausência do ser causador em seu estado patológico é conhecido por depressão e é tratado clinicamente com ajuda de drogas antidepressivas e que elevam os níveis de serotonina  no organismo.

O Nojo é um dos sentimentos primários, que sofrem influência cultural e moral. É provocado por um neurotransmissor chamado Dopamina que provoca náuseas e vômitos a influência cultural e moral. Se dá em virtude de que, hábitos culturais e morais fazem com que, determinadas coisas possam provocar  asco ou não, pois com o habitual contato com determinadas situações faz com que o organismo perceba aquilo com normalidade passando assim a fazer parte do cotidiano.

Compaixão, é um dos sentimentos exclusivo dos humanos, é sentir o que o outro sente, envolve estruturas cerebrais que permitem reconhecer o sofrimento do outro, é o que se chama de " contágio emocional "  a compaixão desperta o ímpeto de agir e amenizar o sofrimento alheio. É, sem dúvida um nobre sentimento pois é como compartilhar o sofrimento e tentar minorar a dor do outro, porém, na compaixão o sentimento é todo voltado para o outro.

A Inveja, essa sim, é um sentimento completamente humano. É o mais negativo e vazio dos sentimentos. consiste no prazer de ver o outro derrotado. O alicerce  desse sentimento é a comparação com o semelhante; é o desejo que o outro se dê mal. Não podemos confundir Inveja com ambição e cobiça. O  Ambicioso quer  ter um carro igual ao que o outro tem (normalmente o outro é alguém de relações próximas). O cobiçador quer  ter o carro que o outro tem (pretende adquirir o bem do outro a todo custo) e o invejoso quer que o outro perca o carro que tem (não pensa em ter, mas torce para que o outro não tenha). Por isso dissemos que é um sentimento completamente humano pois só o homem é passível do desejo de prejudicar o próximo, o animal não age em virtude da derrota do outro, pois, só mata pela sobrevivência, para se alimentar ou se defender. Portanto a inveja é um dos piores sentimentos.

Desconfiança: esse sentimento nos deixa atento, cauteloso e preparado para uma eventual reação, ou seja quando estamos desconfiados, pensamos nos riscos de determinada atitude. Esse sentimento causa a liberação exagerada de testosterona (hormônio sexual masculino) que por sua vez  aumenta os níveis de vasopressina, substância que é associada à liderança e competitividade, características do homem (macho) pois em quase todos os grupos animais (digo quase porque em algumas espécies essa liderança cabe a fêmea) e essa liderança cabe ao macho.

Agora nos deteremos no sentimento ao meu vê mais polêmico de todos, sabem de quem estou falando, sim, ele mesmo, o Ciúme, que é para muitos prova de amor, para outros, desconfiança em alto grau; tem até os que dizem é o tempero do amor. Tirso de Molina, o criador do personagem Dom  Juan de Marco, o celebre conquistador  espanhol, dizia que: " O ciúme é o saleiro no banquete do amor " mas, do ponto de vista bioquímico, uma substância chamada oxitocina é a responsável por manter o vínculo do ciumento e a pessoa amada, pois o ciumento se alimenta de ciúme quanto mais tem mais desenvolve e, esse sentimento gera angustia, stress e agressividade, por conta da liberação do hormônio chamado Cortisol. O ciúme exagerado é autodestrutivo, há os que o classificam  como moderado ou grande, mas, em qualquer escala é preciso muito cuidado com esse sentimento, não pelo grau de importância, mas, de forma proposital.

Falaremos por último do mais romântico e festejado dos sentimentos, o Amor, aquele que rege a vida, passamos a existência inteira amando ou pelo menos em busca desse sentimento. Amamos nossos pais, nossos irmão, nossos filhos, companheiros, amigos e por ai vai, contudo, com ele vem as decepções da idealização, sim pois é uma tendência ter um ideal de amor e não encontrando esse amor perfeito decepcionamo-nos, mas, é justamente por isso que  se torna interessante, pois a busca continua. O amor inspirou milhares de escritores a escrever histórias lindíssimas sobre amores possíveis ou impossíveis, histórias que atravessaram os séculos, lidas por varias gerações. O amor é sem dúvida um belíssimo sentimento. Carlos Drummond de Andrade disse certa vez que" O amor dinamita a ponte e manda o amante passar" isso implica dizer que o amor é um sentimento que move o ser amado a fazer " loucuras. Camões também citou com maestria o amor: “O amor é fogo que arde sem se ver. É  ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina  sem  doer... Enfim, foi é e será o mais cantado e escrito dos sentimentos. Bioquimicamente falando é de uma simplicidade comovente, o que seria um balde de água fria nos apaixonados corações dos românticos, que como disse o compositor Vander Lee "...românticos são loucos desvairados que querem ser o outro, que pensam que o outro é o paraíso" pois de acordo com a ciência  o amor é uma mera  questão de Oxitocina, substância que ativa  as áreas da afetividade e fortalece os vínculos de afeição, quanto mais Oxitocina, mais Dopamina, isso mesmo, a mesma substância da alegria, aquela que causa entusiasmo, e a ciência diz ainda que esse amor romântico dura em média quatro anos. O tempo que o organismo acostuma com as doses destas substância ou as passa produzir menos. Mas, ainda assim, prefiro acreditar que os sentimentos são causa e substâncias dos efeitos. A comprovação científica da bioquímica  dos sentimentos, é importante para a lucidez  e conhecimento do corpo humano e suas reações, mas, o que seria do romantismo, sem a ilusão e a esperança de que todos os sentimentos, pelo menos o mais nobre deles, o amor, fosse pra todo sempre como disse Vinícius de Morais  "que seja  eterno enquanto dure" e não uma simples questão de Oxitocina. (Autor: Jocimar Linhares)
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