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Deficientes dão exemplo de superação.

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Cadeirantes que deram a volta por cima


Marcelo Yuka, 43, músico – lesão: paraplegia

"Eu ia a um show no Rio de Janeiro. Perto de casa, havia um carro atravessado na ponta de uma rua, tentando parar a tiros os carros que passavam. Freei e dei ré. Mas não sabia que havia outro carro, atrás do meu, assaltando uma menina. Os caras desse carro começaram a disparar. Recebi nove tiros e passei por 12 cirurgias."

"Fiquei muitos anos em depressão, entre seis e sete. Quis desistir de viver várias vezes. A mudança no seu corpo é mais rápida do que na sua cabeça. Dia após dia, você vai descobrindo o que perdeu. Há uns dois anos, descobri a meditação e as coisas foram clareando. Fazer terapia também me ajudou."
"Assim que melhorei da depressão, tentei resgatar um pouco do homem que eu era. Faço trabalhos sociais e estou gravando um disco, que deve sair depois do Carnaval. Nunca tive problema de relacionamento (pela minha condição física)."



Fabiano Puhlmann, 43, psicólogo e autor do livro A Revolução Sexual sobre Rodas- lesão: tetraplegia

"Quebrei o pescoço duas vezes. No primeiro acidente, tinha 17 anos. Corri para mergulhar na piscina e escorreguei antes de saltar. Bati a cabeça no fundo e perdi os movimentos. Via o sangue saindo da cabeça e tentava me mexer, mas não conseguia. O segundo ocorreu em 2006. Lesei a medula no mesmo lugar ao cair da bicicleta."

"Depois do trauma, vem a negação. A realidade é insuportável. Tão insuportável que você quer mudá-la. A esperança (de voltar a andar) é uma forma de negação. Guardei minha prancha por dois anos após o primeiro acidente, achando que voltaria a surfar. Para mim, o trauma não atingiu o corpo. Atingiu a alma."

"É possível manter um relacionamento após a lesão. Sou casado há 12 anos. A primeira coisa que eu quis fazer depois do segundo acidente foi transar. Minha mulher achou que eu estivesse doente e disse que era louco. Falei: 'Não estou doente, não, vamos transar e é já!' (risos). Eu queria me sentir íntimo dela de novo. Sexo é intimidade."



Mara Gabrilli, 42, vereadora de São Paulo - lesão: tetraplegia

"Sofri um acidente de carro em 1994, aos 26 anos. Numa curva da serra de Taubaté, o meu então namorado perdeu o controle do carro, que rolou 15 metros barranco abaixo. Quebrei o pescoço - uma dor inesquecível. Eu não conseguia respirar direito e não mexia os braços. Fraturei a quarta e a quinta vértebras cervicais."

"É claro que tive momentos de tristeza. Lembro de cenas fortes: eu, nos EUA, onde fiz minha reabilitação, olhando para o nada e pensando: 'E agora, como é que vai ser?' Mas em nenhum momento pensei em morrer. Percebi que não dava para ficar contabilizando o que havia perdido. Me concentrei no que tinha de ganhar para melhorar."

"Quando vi a facilidade emocional e financeira que tinha diante do problema, percebi que era privilegiada. Resolvi fundar uma organização para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Criei a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), focada em esportes. Tenho também o Instituto Mara Gabrilli na luta pela causa dos deficientes."



Fernando Fernandes, 28, modelo e ex-Big Brother Brasil - lesão: paraplegia

"Dormi no volante e, quando acordei, estava na cama errada. Tinha um monte de gente de branco em volta de mim. Eu pensei: 'Pronto, acordei no céu'. Colocaram oito pinos de titânio nas minhas costas. Fiquei bastante tempo grogue pelos remédios, e só depois percebi que não sentia as pernas. O apoio dos amigos, no hospital, foi fundamental."

"No momento, estou sem movimento nas pernas. Os médicos não sabem quando e se ele volta. Então, a palavra 'reabilitação' tem sentido aberto. É óbvio que eu quero voltar a andar, mas tenho que ser realista e inteligente o bastante para saber que há a possibilidade de isso não acontecer. Graças a Deus, tenho lidado naturalmente com isso.."

"O plano A, é lógico, é voltar a andar e a trabalhar como modelo. Mas a gente tem de lidar com a realidade. Meu plano B seria voltar a praticar um esporte competitivo e disputar uma Paraolimpíada. O remo me interessa muito. O atletismo, também."



Marcelo Rubens Paiva, 50, jornalista e escritor - lesão: tetraplegia

“14 de dezembro de 1979, 17 horas (...)
Pulei com a pose do Tio Patinhas, bati a cabeça no chão e foi aí que ouvi a melodia: biiiiiiin. Estava debaixo d’água, não mexia os braços nem as pernas, somente via a água barrenta e ouvia: biiiiiiin. Acabara toda a loucura, baixou o santo e me deu um estado total de lucidez: ‘Estou morrendo afogado.’” (abertura do livro Feliz Ano Velho, em que Paiva lembra o acidente que o deixou tetraplégico).

“Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu que estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha própria morte. (...) Foi o que prometi a mim mesmo. ‘Se eu não voltar a andar, darei um jeito qualquer de me matar’. Era bom pensar assim. Eu não tinha medo de morrer. ” (trecho de Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva).

"Acho que vivi uma depressão, e fiz terapia para superar. Mas tudo isso é distante para mim... Eu vivi 20 anos sem estar numa cadeira de rodas e 30 anos como cadeirante. Isso já é mais parte do meu físico do que andar. Eu nem me lembro de voltar a andar, nem sei o que é isso. Para mim, já faz parte da rotina pegar a minha cadeirinha e sair pela cidade."
(Fonte: www.veja.com e http://deficientealerta.blogspot.com)
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