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Jeitinho brasileiro

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Por definição: o “jeitinho” brasileiro representa, em uma expressão de fácil entendimento, a malandragem histórica do nosso povo. Malandragem com a qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação e, indiretamente, presenciamos nos atos das pessoas. 
Há quem tenha orgulho do “jeitinho”, que por ser tão comum, até preferimos omitir as aspas. No entanto, a ideia do malandro está associada à esperteza, como se houvesse algo de esperto em dizer “odeio político ladrão, mas se estivesse no poder, também roubaria”. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é uma das impulsoras do nosso regresso.

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Esses dois últimos anos foram marcados pela corrupção explícita. A dúvida que fica é se vamos assistir a mais momentos corruptos ou se veremos esse câncer se extinguir. De fato, a corrupção não vai acabar, ela é inerente a todos os povos. E não é difícil de imaginar que não são apenas nós que somos ‘espertinhos’. No mundo, há muitos outros povos que também seguem a mesma linha de conduta individualista que seguimos, todavia há lugares onde isso é minimizado. Por quais motivos? Talvez uma melhor eficiência da Justiça ou uma boa consciência coletiva. É difícil definir porque o jeitinho é um fantasma abstrato que nos rodeia, mas traz problemas bem concretos. 

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Na prática, o jeitinho é uma maneira da pessoa se colocar entre o certo e o errado. Ela sabe que o que está fazendo não é moralmente correto, mas perdoa a si mesmo porque também sabe que estará saindo na vantagem. Assim, qualquer transgressão é justificada, e a pessoa vai vivendo seguindo a Lei de Gérson: “O importante é obter vantagem em tudo”.

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Aquele velho papo de que os valores estão invertidos – ou subvertidos – fica ainda mais presente. Qualquer ato que deveria servir como exemplo de moralidade torna-se inútil, pois a sociedade chega a ponto de ser tão materialista que ignora a ética, a moral e outros valores que não são palpáveis. A partir daí, o convívio social vira algo desregrado, e não estou falando de leis, estou falando de sensibilidade coletiva. Muitas leis não seriam necessárias se as pessoas tivessem a noção dos seus limites, obedecendo a liberdade dos outros.

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A diferença entre o jeitinho brasileiro e o “jeitinho internacional” é que agregamos essa malandragem como característica cultural do Brasil, assumindo uma postura diferente e orgulhosa de detonar os outros, que somos nós mesmos. E a política? Nesse caso a situação piora quando notamos que os governos – ou detentores do poder, de uma forma geral – são tão desregrados quanto nós. Aí, o mau exemplo da política torna a sociedade um caos, onde as pessoas sacaneiam por uma questão, digamos, de sobrevivência moral.

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Considerar que só porque diversos políticos roubam ser uma explicação razoável para exercer o jeitinho, mesmo em coisas menores do que superfaturar uma ambulância, é mergulhar de cabeça em um círculo vicioso do qual ninguém quer intervir, todos querem participar e muitos sofrem com isso. 

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Ter orgulho do jeitinho é, sem mais, aceitar toda a situação presente que adoramos criticar. Sei que roubar uns milhões é diferente de subornar um policial, mas ambas as situações estão no mesmo patamar ético, partiram de uma mesma iniciativa extremamente egoísta. 

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Viver na surdina, burlar as regras, fazer vista grossa às normas e muito mais podem até dar um gosto de aventura, entretanto deve-se perceber que exaltar o individual em detrimento do coletivo é uma forma ignorante de suicídio. Sem notar, a sociedade vai cortando seus pulsos de pouquinho em pouquinho. Numa morte lenta e deliciosamente terrível. (Postado por O Controle da Mente – Fonte: www.italogeo.com)
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