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Um supercérebro de US$ 40 milhões criado pelos Estados Unidos

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Americanos constroem primeiro diagrama interativo do cérebro humano vivo em um projeto de cinco anos e US$ 40 milhões.  Banco de dados on-line poderá ser usado como referência para traços de personalidade, habilidades cognitivas e genética.

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Ressonância Magnética. Imagem do cérebro do repórter James Gorman, do New York Times, criado pelos pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, que fazem parte do Projeto Connectome Humano The New York Times

ST. LOUIS, ESTADOS UNIDOS - Deanna Barch fala rápido, como se não quisesse perder tempo com a substancial tarefa que tem nas mãos. Ela é uma das pesquisadoras da Universidade de Washington à frente do primeiro diagrama interativo do cérebro humano vivo, em funcionamento. Para construir este diagrama, ela e seus colegas estão fazendo varreduras do cérebro e avaliações cognitivas, psicológicas, físicas e genéticas com 1.200 voluntários. Em seguida, os dados serão analisados e incorporados em um mapa tridimensional e interativo da estrutura e funcionamento de um cérebro humano saudável.

Barch está explicando as dimensões da tarefa, e as razões para a realização dela, em uma pequena sala onde há vários monitores na frente de uma janela que dá para uma sala adjacente com uma máquina de ressonância magnética. Ela pede que um assistente de pesquisa mostre uma imagem. “Está tudo aqui” diz ela, tranquilizando um repórter que acaba de sair da máquina, e cujo cérebro está em exibição.

E assim é: córtex, amígdala, hipocampo e todas as outras regiões e sub-regiões onde ocorrem lembranças, o medo, a fala e o cálculo. Mas este é apenas um primeiro round. É uma imagem estática, em preto e branco. Há horas de exames e testes ainda por fazer, embora o repórter esteja fazendo apenas uma demonstração.

Cada um dos 1.200 indivíduos cujos dados cerebrais formarão o banco de dados final vai gastar umas boas 10 horas ao longo de dois dias para ter seu cérebro digitalizado e fazer outros testes. Os cientistas e técnicos passarão pelo menos mais 10 horas analisando e armazenando os dados de cada pessoa para construir algo que a neurociência ainda não tem: um banco de dados que poderá ser usado como referência para traços de personalidade, habilidades cognitivas e genética. E ele ficará online, em um mapa interativo disponível para todos.

Consórcio de universidades

O banco de dados e o mapa do cérebro são parte do Projeto Conectoma Humano, um esforço de cerca de US$ 40 milhões e cinco anos apoiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA. É composto por dois consórcios: a colaboração entre as universidades de Harvard e da Califórnia, para melhorar a tecnologia de ressonância magnética, e o projeto de US$ 30 milhões do qual Barch faz parte, envolvendo as universidades de Washington, Minnesota e Oxford (Reino Unido).

O papel de Barch no projeto foi o de montar a bateria de testes cognitivos e psicológicos que são feitos junto com os exames, e supervisionar sua administração. Esta é a informação que dará profundidade e significado para as imagens.

Segundo ela, a questão central que os dados podem ajudar a responder é: “como as diferenças entre você e eu, e a forma como os nossos cérebros estão conectados, são refletidas nas nossas diferenças de comportamento, pensamento, emoções, nossos sentimentos, nossas experiências?”.

Há uma boa razão para o otimismo sobre o projeto, e que está acelerando a mudança tecnológica que alguns neurocientistas comparam com o sequenciamento do DNA que levou ao Projeto Genoma Humano: a optogenética, uma nova técnica transformadora que usa luz para ligar diferentes partes do cérebro em animais de laboratório para ativar e desativar genes modificados. Desenvolvimentos poderosos em microscopia possibilitaram filmar a atividade cerebral de animais vivos. Um vírus da raiva modificado pode ter como alvo uma célula do cérebro e marcar todas as outras células ligadas a ela.

Das muitas técnicas usadas para explorar e compreender o cérebro, o mapeamento é provavelmente a mais duradoura, talvez porque os mapas sejam tão familiares e compreensíveis.

- Um século atrás, mapas cerebrais eram como os da superfície da Terra no século XVI, grande parte era desconhecida ou estava errada - disse David Van Essen, que está no comando dos trabalhos na Universidade de Washington. - Agora nossas caracterizações são mais como um mapa do século XVIII.

A esperança, disse ele, é que o projeto seja um passo em direção aos séculos XIX e XX, para alcançar algo mais parecido com o Google Maps.

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