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Cultura Egípcia uma viagem de 7000 anos.

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CLEÓPATRA VII

Cleópatra foi uma das mulheres mais conhecidas da história da humanidade e um dos governantes mais famosos do Antigo Egito, sendo conhecida apenas por Cleópatra, ainda que tivessem existido outras Cleópatras a precedê-la, e que permanecem desconhecidas do grande público.
Nunca foi a detentora única do poder no seu país - de fato co-governou sempre com um homem ao seu lado: primeiramente o seu pai, o seu irmão (com quem casaria mais tarde) e, depois, com o seu filho.
Em todos estes casos, os seus companheiros eram apenas reis titularmente, e, dela era a autoridade de fato.
Algumas de suas excentricidades são citadas em livros de história:
Ocupava vinte damas de companhia na preparação de seus banhos.
- Ficava até seis horas mergulhada na água extraída de plantas aromáticas.
- Cleópatra testava e eficiência de seus venenos dando-os aos escravos.

LIBRA EGÍPCIA

libra egípcia é a moeda oficial do Egito. A libra também é chamada de "pound"

libras egípcias (ou pounds)
Uma (1) libra egípcia equivale a 100 piastras (ou "centavos"), ou seja, 3 libras egípcias são 300 piastras. Atualmente (2011), R$1,00 corresponde a, aproximadamente, 2,60 libras egípcias. Os valores faciais das moedas egípcias atuais são: 5 piastras (bronze), 10 piastras (níquel), 20 piastras (níquel), 25 piastras (moeda furada/níquel), 50 piastras (níquel) e 1 libra (moeda bimetálica).

pistras (centavos)
Muitos são os "lugares" e "personagens" cunhados nessas moedas. A de 10 piastras, por exemplo, apresenta a imagem da mesquita de Mohamed Ali, localizada no Cairo, capital do Egito. Já a de 50 piastras mostra Cleópatra, enquanto na bimetálica é possível ver a famosa máscara mortuária de Tutankhamon.
As cédulas mostram outras personagens e outros lugares. Os valores faciais das cédulas egípcias são: 1 libra, 5 libras, 10 libras, 20 libras, 50 libras e 100 libras, esta última mostrando a Esfinge de Gizé. Todas elas são muito ricas em detalhes e cores, e a predominância da língua é o árabe, que divide espaço com o inglês, decorrente da colonização britânica. Clique abaixo e veja algumas fotos das moedas atuais do Egito.

PIRÂMIDES

Das sete maravilhas do mundo antigo, as oitenta pirâmides são as únicas sobreviventes. Foram construídas por volta de 2690 a.C., a 10 km do Cairo, capital do Egito. As três mais célebres pirâmides de Gizéh (Quéops, Quéfren e Miquerinos) ocupam uma área de 129.000 m2. A maior delas (Queóps) foi construída pelo mais rico dos faraós, e empregou cem mil operários durante 20 anos. Se enfileirássemos os blocos de granito das três pirâmides, eles dariam a volta ao mundo.
"O tempo ri para todas as coisas, mas as pirâmides riem do tempo".
Curiosidades sobre as Pirâmides
- Estas três majestosas pirâmides foram construídas como tumbas dos reis Kufu (ou Quéops), Quéfren, e Menkaure (ou Miquerinos) - pai, filho e neto.
- A maior delas, com 147 m de altura (49 andares), é chamada Grande Pirâmide, e foi construída cerca de 2550 a.C. para Kufu, no auge do antigo reinado do Egito.
- As pirâmides de Gizéh são um dos monumentos mais famosos do mundo.

- Como todas as pirâmides, cada uma faz parte de um importante complexo que compreende um templo, uma rampa, um templo funerário e as pirâmides menores das rainhas, todo cercado de túmulos (mastabas) dos sacerdotes e pessoas do governo, uma autêntica cidade para os mortos.
- As valas aos pés das pirâmides continham botes desmontados: parte integral da vida no Nilo sendo considerados fundamentais na vida após a morte, porque os egípcios acreditavam que o defunto-rei navegaria pelo céu junto ao Rei-Sol.
- Apesar das complicadas medidas de segurança, como sistemas de bloqueio com pedregulhos e grades de granito, todas as pirâmides do Antigo Império foram profanadas e roubadas possivelmente antes de 2000 a.C.
- Existem hoje no Egito 80 pirâmides; A Grande Pirâmide, de 147 m de altura, é a maior de todas.
- Se a Grande Pirâmide estivesse na cidade de Nova Iorque por exemplo, ela poderia cobrir sete quarteirões.
- Todos os quatro lados são praticamente do mesmo comprimento, com uma exatidão não existente apenas por alguns centímetros. Isso mostra como os antigos egípcios estavam avançados na matemática e na engenharia, numa época em que muitos povos do mundo ainda eram caçadores e andarilhos.
- A Grande Pirâmide manteve-se como a mais alta estrutura feita pelo homem até a construção da Torre Eiffel em 1900, 4.500 anos depois da construção da pirâmide.

- Para os egípcios, a pirâmide representava os raios do Sol, brilhando em direção à Terra. Todas as pirâmides do Egito foram construídas na margem oeste do Nilo, na direção do sol poente.
- Os egípcios acreditavam que, enterrando seu rei numa pirâmide, ele se elevaria e se juntaria ao sol, tomando o seu lugar de direito com os deuses.
- A construção da pirâmide foi feita com pedras justapostas, ou seja "encaixadas", sem auxílio de cimento ou qualquer material colante, e alguns blocos estão tão bem unidos que não é possível passar entre eles uma folha de papel, até mesmo uma agulha.

ESFINGES

Esfinges são monstros fabulosos com cabeça humana e corpo de leão.
A mais conhecida é a esfinge de Gizeh, nas proximidades de Mênfis, no Egito, a pouco mais de cem metros das pirâmides e junto à foz do Nilo.
A grande esfinge é uma das maiores estátuas lavradas numa única pedra em todo o planeta e foi construída pelos antigos egípcios no terceiro milênio a.C.. Porém, existe um grupo de pesquisadores que afirma que a esfinge seria muito mais antiga, datando de, no mínimo, 10.000 a.C. , baseando-se na análise do calcário e sinais de erosão provocados por água.
Mede 39 metros de comprimento e 17 metros de altura.
A esfinge, em grego, personifica um "monstro que estrangula quem não adivinhar os seus enigmas".
A esfinge egípcia é uma antiga criatura mítica, icônica, tida como um leão estendido — animal com associações solares sacras — com uma cabeça humana, usualmente a de um faraó. Simboliza força e sabedoria.
A esfinge de Gizeh é um símbolo que representou a essência do Egito durante milhares de anos. Mesmo com todas as fotografias que podemos ver da Esfinge, nada pode realmente preparar você para o momento em que seus próprios olhos pousarão nesse imenso monumento.

Uma visão dela de forma longitudinal pode revelar a proporção do corpo até a cabeça. Pode parecer que a cabeça é pequena em relação ao corpo. Por causa das constantes mudanças de terreno no deserto, o corpo da esfinge já foi enterrado diversas vezes na areia no decorrer dos anos. Recentemente em 1905, a areia foi removida e expôs a magnitude e beleza da totalidade do monumento.
As patas por si mesmas medem cerca de quinze metros enquanto que o comprimento total dessa parte é de quarenta e cinco metros. A cabeça tem dez metros de comprimento por quatro metros de largura. Algumas camadas da pedra são mais leves do que outras o que provocou um alto grau de erosão que modificou os detalhes originais da figura talhada.
A mais popular versão sobre a construção da esfinge sustenta que ela foi construída pela quarta dinastia de reis, por Kéfren. Este rei era um dos filhos de Khufu que é reconhecido como o construtor da grande pirâmide. A esfinge se alinha com a Pirâmide de Kéfren.
Apesar da cabeça da esfinge ter sofrido desgaste e prejuízos de toda sorte ao longo de sua existência, traços de sua pintura original ainda podem ser vistos perto de uma das orelhas. Acredita-se que a esfinge era completamente pintada e muito colorida. Desde então o nariz e a barba foram arrancados da escultura. O nariz foi a vítima desafortunada da prática de tiro ao alvo dos turcos no período turco. Assumiu-se erroneamente que o nariz tinha sido acertado pelos homens de Napoleão, mas desenhos do século dezoito revelam que o nariz já tinha se perdido muito antes da chegada de Napoleão.

FARAÓS

Eram intitulados como Faraós os reis (com estatuto de deuses) no Antigo Egito.
É difícil de determinar datas precisas na história dos faraós, já que os testemunhos desta época são escassos, além de virem de uma época em que a própria história estava nos seus primórdios (isto é, a escrita ainda estava nos seus inícios)
coroas de faraós
A tradição egípcia apresenta Menés como sendo o primeiro faraó ao unificar o Egito (até então dividido em dois reinos). Segundo esta tradição, este seria o primeiro governante humano do Egito, a seguir ao reinado mítico do deus Hórus.
Documentos históricos, parecem testemunhar essa reunificação sob o faraó Menés, cerca de 3100 a.C., ainda que os egiptólogos pensem que a instituição faraônica seja anterior. Por isso, se fala também de uma Dinastia
Quanto ao último dos faraós, todos estão de acordo em dizer que se tratou de Ptolomeu XV, filho de César e Cleópatra.

MÚMIAS

As múmias são cadáveres embalsamados por algumas sociedades que acreditam no retorno do espírito ao corpo.
Tal processo, chamado de mumificação, tem como fim preservar o corpo para a recepção do "espírito
Os antigos egípcios tinham o costume de embalsamar os seus faraós. Todos os órgãos eram retirados e os cadáveres eram enrolados em uma espécie de bandagem.
Os órgãos internos retirados das múmias eram armazenados em vasos canopticos.
Os faraós eram enterrados com todos os seus bens.

MUMIFICAÇÃO – EMBALSAMAMENTO

Mumificação é o nome do processo aprimorado pelos egípcios em que retiram-se os principais órgãos, além do cérebro do cadáver, dificultando assim a sua decomposição. Geralmente, os corpos são colocados em sarcófagos de pedra e envoltos por faixas de algodão ou linho. Após o processo ser concluído são chamados de múmias.
Eram assim, embalsamados da seguinte maneira: em primeiro lugar, cérebro, intestinos e outros órgãos vitais eram retirados. Nessas cavidades, colocavam-se resinas aromáticas e perfumes. Depois, os cortes eram fechados. Mergulhava-se então o cadáver num tanque com nitrato de potássio (salitre) para que a umidade do corpo fosse absorvida.
Ele permanecia ali por setenta dias. Após esse período, o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão, com centenas de metros, embebida em betume, uma substância pastosa. Só aí o morto ia para a tumba. Esse processo conservava o cadáver praticamente intacto por séculos.
A múmia do faraó Ramsés II, que reinou no Egito entre 1304 e 1237 a.C., foi encontrada em 1881 apenas com a pele ressecada. Os cabelos e os dentes continuavam perfeitos.

CALENDÁRIO EGÍPCIO

O Calendário egípcio é considerado o primeiro calendário da história da humanidade.
O calendário solar (a marcação é baseada nos movimentos do sol), foi utilizado por primeira vez pelos egípcios, há cerca de 6000 anos. Destaque-se que esta precisão do calendário solar egípcio há 6000 anos só foi possível graças à posição geográfica do país, de onde se pode observar Sírius, que é a mais brilhante estrela do céu.
Nesta contagem, o ano possuía 12 meses de 30 dias cada mês, que perfazia 360 dias. Entretanto, 5 dias a mais eram adicionais no final do ano para comemorar o aniversário de Osíris, Hórus, Ísis, Neftis e Set, com isso o calendário totalizava 365 dias. Já dividiam o dia em 24 horas.
Como curiosidade, registre-se que os egípcios chegaram a notar que a duração exata do ano era de 365 dias e 1/4, mas não chegaram a corrigir o calendário, senão em 238 a.C.
O calendário egípcio foi estudado e reconhecido pelos astrônomos gregos, tendo se tornado o calendário base da astronomia por muito tempo.

PALAVRAS DE ORIGEM EGÍPCIA

Algumas palavras da língua portuguesa, como têm origens na língua egípcia.
De igual forma, certas expressões, como "anos de vacas magras", são também de origem egípcia.
A palavra algoritmo deriva do nome árabe do inventor da álgebra - e é apenas uma das palavras portuguesas de origem árabe, como álcool, azimute, nadir, zênite, café, laranja, garrafa e oásis. Existem muitas mais.
A língua portuguesa foi francamente enriquecida devido à passagem dos árabes pela península ibérica, especialmente nas áreas técnicas.

TAMAREIRA

A tamareira, árvore egípcia tradicional desde a época dos faraós, demora de 150 a 200 anos para dar seu primeiro fruto. Significa que se você plantar hoje uma tamareira, provavelmente só o seu tataraneto colherá a primeira tâmara.

PALAVRAS CRUZADAS

As Palavras Cruzadas foram criadas no Egito há 2000 anos; encontradas num fragmento de papiro, remanescente do período Greco-Romano com pistas e enigmas baseadas nos mesmos princípios da moderna palavra cruzada.
O mais remoto antepassado conhecido das Palavras Cruzadas é talvez o caso da estela encontrada na cidade de Tebas no túmulo do sumo sacerdote nomeado para aquela função durante o primeiro ano do reinado de Ramsés II, faraó da XIX dinastia (1320 - 1200 a.C.). No lado esquerdo do corredor que dá acesso à câmara interna do túmulo, encontrou-se a estela, uma grande pedra na qual foram gravadas imagens humanas e uma série de hieróglifos. O texto da estela contém apenas uma série de frases elogiosas sobre o deus Osíris, protetor dos mortos, como era usual naqueles tempos. Mas a forma pela qual os hieróglifos foram dispostos surpreendeu os arqueólogos. São ao todo 11 linhas horizontais. Bem no centro delas, uma coluna foi marcada para indicar que os hieróglifos, lidos no sentido vertical, também fazem sentido. Ou seja, as linhas da coluna delimitam uma frase completa para ser lida de cima para baixo, formada por alguns dos símbolos das outras frases gravadas no sentido horizontal.

ESCARAVELHO

Escaravelho é a designação comum a insetos coleópteros (besouros), especialmente os que vivem de excrementos de mamíferos herbívoros.
Há cerca de 2000 espécies de escaravelhos no mundo.
No Egito Antigo, o escaravelhos eram seres sagrados, sendo usados como amuletos relacionados com a vida após a morte e a ressurreição.
É considerado um símbolo de sorte por nascer entre as fezes do camelo no calor do deserto.
Eram muito usados nas mumificações para proteger o morto no caminho para o Além.

EGITO FARAÔNICO E ÁRABE

Muita gente que pensa em visitar o Egito acredita que ainda irá encontrar por lá, os faraós e tudo aquilo que vê nos filmes épicos de Hollywood. Tudo isso, já não existe há praticamente 2000 anos.
O Egito se tornou um país árabe a partir do Século VII, mais precisamente em 639, com a invasão muçulmana liderada pelo califa Omar.
Com sua expedição militar, expulsou definitivamente o poder bizantino por volta de 642.
Ao longo dos séculos seguintes a população que habitava o Egito acabaria por se converter ao islã (religião muçulmana) e por adotar como língua, o árabe.
O Período Faraônico (Egito Antigo) inicia-se em cerca de 3100 a.C. e termina em 30 a.C. quando o Egito, já então sob dominação estrangeira, se transformou numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII.
Apesar da civilização egípcia (faraônica) ter terminado há dois mil anos, parte do seu legado continua vivo no mundo atual. É sempre importante situar-se para não confundir: Egito Antigo (faraônico) e Egito Moderno (árabes).
A História do Egito corresponde a uma das mais longas histórias de um território do mundo. Sempre foi um país cobiçado por muitos povos em função de sua posição estratégica. Para entender melhor isso, veja os períodos importantes um pouco mais subdivididos:
1) pré-dinástico (4.500 a.C. a 3.000 a.C. - poucos registros encontrados)
2) faraônico (3.100 a.C. até 343 a.C.)3) persa (343 a.C. até 332 a.C.)
4) greco-romano (332 a.C. até 330 d.C.)
5) bizantino (330 d.C. até 641 d.C.)
6) islâmico (a partir do Séc. VII)
7) otomano (1517 - 1798)
8) franco-britânico (1798 - 1952)
9) contemporâneo (1952 até hoje)
A língua egípcia sobreviveu até o Século V d.C. de forma demótica (um um tipo de escrita popular, adotado pelas classes mais pobres da sociedade egípcia), e até a Idade Média como língua copta, perfazendo uma existência de mais de quatro milênios.
A língua oficial do Egito moderno é o árabe egípcio, que gradualmente substitui a língua copta como idioma cotidiano nos séculos posteriores à conquista muçulmana do país.
A língua copta ainda é utilizada como língua litúrgica pela Igreja Copta Ortodoxa.

CANAL DE SUEZ

O Canal de Suez é uma das vias marítimas mais importantes do mundo e um dos grandes focos da economia do Egito. É o eixo de união entre o Oriente e Ocidente (tem 163 Km de extensão e 70 metros de largura). Aqui temos uma situação interessante: de um lado está o continente asiático (isso mesmo, Ásia), do outro lado está a África.
Este canal, construído a partir de 1859 (foram 10 anos de obras, utilizando 1,5 milhão de trabalhadores), possibilitou a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho. Os navios que usam essa rota têm de atravessar o canal e, claro, pagar altas taxas de "pedágio".
Caso contrário, tem que dar a volta pelo sul do continente africano, dobrar o Cabo da Boa Esperança (literalmente falando), e tornar a subir para chegar aos países asiáticos (através do Oceano Índico).
Os romanos já utilizavam a região para passagem de pequenas embarcações. Era chamado de "Canal dos Faraós".
A idéia deste texto não é se concentrar em fatos históricos, mas é sempre bom dar uma pincelada bem humorada em alguns fatos e, se possível, proporcionar algum conhecimento sobre o Egito.
Assim, muita coisa sobre a história recente do Canal de Suez pode ser compreendida nos três parágrafos abaixo.

A disputa pelo canal

Em 1888, a Convenção de Constantinopla definiu que o Canal de Suez deveria servir a embarcações de todos os países mesmo em tempos de guerra. Inglaterra e Egito assinaram, em 1936, um acordo que assegurava a presença militar do Reino Unido na região do canal por um período de 20 anos.

Com a retirada das tropas inglesas, em 1956, o presidente egípcio Gamal Nasser iniciou um conflito ao nacionalizar o canal e impedir a passagem de navios com a bandeira de Israel. Neste mesmo ano, com o auxílio do Reino Unido e da França, o exército israelense invadiu o Egito. Derrotado, mas contando com o apoio da ONU, dos EUA e da União Soviética, o Egito garantiu o controle sobre o canal. O preço do apoio foi a abertura do canal para a navegação internacional.
Em 1967, com a Guerra dos Seis Dias (conflito entre Israel e a frente árabe, formada por Egito, Jordânia e Síria), a passagem é novamente fechada. A partir de 1975 o Canal de Suez é reaberto para todas as nações do mundo.
Aí vão mais alguns dados importantes sobre o Canal de Suez
- é o mais longo canal do mundo, com 163 quilômetros
de extensão. Sua travessia dura cerca de 15 horas a uma velocidade de 14 km/h;
- possui três lagos em seu percurso. Não há eclusas;
- a sua largura mínima é de 55 metros;
- comporta navios de até 500 metros de comprimento por
70 metros de largura;
- o valor médio das taxas pagas por petroleiros é de
US$ 70 mil;
- entre 1996 e 1997, o Egito arrecadou, apenas com o
pedágio, US$ 1,8 bilhão.
Conseguem entender a importância desse canal para o Egito?

PAPIROS & HIERÓGLIFOS


Os papiros eram os papéis da antiguidade. Apesar de aparência frágil, duraram milhares de anos e sua conservação nos trouxe muito da vida existente naquela época.
Os escribas desenhavam os hieróglifos (alfabeto egípcio), nos papiros e paredes.
Os hieróglifos foram usados durante um período de 3500 anos para escrever a antiga língua do povo egípcio.
Existem inscrições desde antes de 3000 a.C. até 394 d.C., data aparente da última inscrição hieroglífica, numa pedra descoberta na Ilha de Philae.
Constituíam uma escrita monumental e religiosa, pois era usada nas paredes dos templos, túmulos, etc. Existem poucas evidências de outras utilizações.
Quando e como desapareceram os hieróglifos
Durante os mais de 3 milênios em que foram usados, os egípcios inventaram cerca de 6900 sinais. Um texto escrito nas épocas dinásticas não continha mais do que 700 sinais, mas no final desta civilização já eram usados milhares de hieróglifos, o que complicava muito a leitura, sendo isso mais um dos fatores que tornavam impraticável o seu uso e levaram ao seu desaparecimento.
Com a invasão de vários povos estrangeiros ao longo da sua história, a língua e escrita locais foram se alterando, incorporando novos elementos.
Fatores decisivos foram a introdução das línguas grega e romana, com a conquista pelos respectivos impérios.
Também o cristianismo, ao negar a religião politeísta local, contribuiu bastante para que o conhecimento desta escrita se perdesse, no Século V depois de Cristo.
Tudo o que estava relacionado com os antigos deuses egípcios era considerado pagão, e portanto, proibido.

INCENSO

O incenso era muito valioso no Egito Antigo. Muitas árvores foram importadas do Oriente para serem plantadas naquele país.
Seu uso para reverenciar divindades, meditar e limpar ambientes é bastante comum há milhares de anos. Por isso não admira que, segundo o relato bíblico, Jesus Cristo, ao nascer, tenha recebido incenso, mirra e ouro de presente dos Reis Magos. A forte ligação do incenso com o elemento Ar, simbolizada pela fumaça, assim como o marcante apelo olfativo (o olfato tem contato direto com o processamento de emoções e com a memória) talvez expliquem o fascínio que este ritual sempre exerceu sobre os seres humanos.
De acordo com antropólogos e historiadores, os primeiros povos a prepararem incensos foram os egípcios. Os incensos eram preparados com ervas e resina de árvores consideradas sagradas. Os egípcios eram bastante experientes na fabricação de incenso, e o faziam em templos, o que revela, desde aí, sua ligação com as cerimônias e as atividades relacionadas à vida espiritual. A própria manufatura dos bastões era um ritual complexo e bastante secreto.

MITOLOGIA EGÍPCIA

Mitologia egípcia ou, em sentido lato, religião egípcia, refere-se às divindades, mitos e práticas cultuais dos habitantes do Antigo Egito.
Não existiu propriamente uma "religião" egípcia, pois as crenças - frequentemente diferentes de região para região - não eram a parte mais importante, mas sim o culto aos deuses, que eram considerados os donos legítimos do solo do Egito, terra que tinham governado no passado distante.
As fontes para o estudo da mitologia e religião egípcia são variadas, desde templos, pirâmides, estátuas, túmulos até textos.
Em relação às fontes escritas, os Egípcios não deixaram obras que sistematizassem de forma clara e organizada as suas crenças.
Em geral, os investigadores modernos centram seu estudo em três obras principais, o Livro das Pirâmides, o Livro dos Sarcófagos e o Livro dos Mortos.
O Livro das Pirâmides é uma compilação de fórmulas mágicas e hinos cujo objetivo é proteger o faraó e garantir a sua sobrevivência no Além. Os textos encontram-se escritos sobre os muros dos corredores das câmaras funerárias das pirâmides de Sakkara. Do ponto de vista cronológico, situam-se na época da V e VI dinastias.
O Livro dos Sarcófagos, uma recolha de textos escritos em caracteres hieroglíficos cursivos no interior de sarcófagos de madeira da época do Império Médio, tinha também como função, ajudar os mortos no outro mundo.
Por último, o Livro dos Mortos, que inclui os textos das obras anteriores para além de textos originais, data do Império Novo. Esta obra era escrita em rolos de papiro pelos escribas e vendida às pessoas para ser colocada nos túmulos.
Outras fontes escritas são os textos dos autores gregos e romanos, como os relatos de Heródoto(século V a.C.) e Plutarco(século I d.C.).

EGIPTOLOGIA

Egiptologia é o estudo da cultura egípcia. É uma área da arqueologia e da história antiga.
Ainda que comumente associada ao período faraônico, a Egiptologia também se estende desde as origens pré-dinásticas (anterior à unificação - 3150 a.C) até períodos mais recentes da história do Egito.
A disciplina surgiu, oficialmente, quando da criação da cadeira de Egiptologia no para Jean-François Champollion (1790-1832), após sua decifração da escrita egípcia, os hieróglifos.
A partir daí, uma nova luz abriu-se para os documentos dessa terra lendária que poderia ser interpretada, finalmente, através do ponto de vista dos próprios egípcios (até então, vigoravam as interpretações bíblicas e de autores greco-romanos).
A egiptologia foi ganhando novas ramificações ao se tornar uma ciência mais madura. Técnicas arqueológicas mais acuradas foram aplicadas na descoberta e conservação dos monumentos, envolvendo um amplo leque de disciplinas em estudos arquitetônicos, biológicos e físicos, entre outros.
Hoje em dia, a exploração de um sítio arqueológico no Egito envolve um longo processo de estudo antes de se começar qualquer escavação.
Uma metodologia criteriosa é indispensável para a conservação das descobertas e este processo envolve igualmente sua análise e publicação para torná-las de acesso público.

KHAN EL KHALILI

É um imenso bazar no coração do Cairo !
Na verdade, Khan el Khalili é um dos mais interessantes bazares não só no Egito, mas em todo o Oriente Médio. Tem mais de 1000 anos.

Este mercado tradicional remete a uma atmosfera medieval devido a disposição do labirinto de suas ruas (são centenas), oferecendo aos visitantes o prazer e o vislumbre de como eram estes lugares na Idade Média.
Você vai se perder em meio à tantas lojas e tantas possibilidades de compra.
"KHAN"quer dizer "lugar" e "EL KHALILI" é o nome de quem dava
repouso às caravanas de comércio que ali chegavam. Do comércio entre o povo egípcio e as caravanas comerciais nasceu há mais de mil anos KHAN EL KHALILI, que hoje é um bairro comercial, um imenso bazar na cidade do Cairo.
Tem esse nome em homenagem ao príncipe Jaharkas Al Khalili (um dos mais poderosos mamelucos do Século XIV). Era um grande artesão e produzia lembranças orientais típicas de forma incomum.

Nas ruelas de Khan el Khalili pode-se encontrar artesanatos manuais dos mais simples aos mais elaborados. Sem dúvida, um lugar dos mais exóticos e que caracteriza de forma completa o Egito de ontem e de hoje. Nem tudo é de alta qualidade. Existe muita imitação de originais. Portanto, exercite a paciência de procurar e manter-se sem gastar momentaneamente.
Cafés, restaurantes, lojas e um grande número de compradores e vendedores, constituindo um panorama dinâmico.
Neste fabuloso mercado árabe, em meio à vozes, animais domésticos e barracas de alimentos de todo gênero, num ir e vir de pessoas de todas as partes do mundo, vêem-se artistas dos mais variados gêneros oferecendo os seus trabalhos manuais . Ao mesmo tempo pode-se acompanhar a elaboração de um objeto artesanal, passo a passo.

Homens vestidos com suas túnicas (galabias) e seus turbantes, discutem exaltados compras e vendas de mercadorias. Um lugar contrastante para todo ocidental.
É perfeitamente seguro para passear e fazer compras, apesar de você ter a sensação que a todo momento alguém lhe espreita. Existe uma quantidade incrível de pessoas circulando dia e noite.
É recomendado ao visitar que você não compre de imediato os produtos oferecidos. É tradicional barganhar com os vendedores até chegar ao preço que está disposto a pagar. Isso pode levar a alguns minutos ou horas. Em meio a isso, provavelmente em todos os lugares que você parar, vão lhe oferecer um tradicional chá de "karkadêh" (a base de flor de hibiscus - amargo no início e meio adocicado no final).
Lembre-se: os preços não são fixos... dependem do momento e da cara do freguês. Portanto, pechinche muito!
Isto é KHAN EL KHALILI.

LUXOR (antiga Tebas)

A Luxor moderna cresceu a partir das ruínas de Tebas, antiga capital do Império Novo (1550-1069 a.C.) e situa-se a 670 km ao sul do Cairo.
A sua riqueza, tanto arquitetônica como cultural, fazem dela a cidade mais monumental das que albergam vestígios da antiga civilização egípcia.
O Nilo separa Luxor em duas partes: a margem oriental, outrora consagrada aos vivos, onde encontramos os vestígios dos mais importantes templos dos deuses da mitologia egípcia, e a margem ocidental, consagrada aos mortos, onde se localizam algumas das mais importantes necrópoles do antigo Egito.

Foi em Luxor, no Vale dos Reis, que aconteceu a descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, pelo célebre arqueólogo e egiptólogo inglês Howard Carter.
Em Luxor concentram-se basicamente 6% de todos os monumentos existentes no mundo e sempre estão descobrindo novos sítios arqueológicos e tumbas.
Apenas para se ter uma idéia do que pode ser visto: 1) Templo de Karnak, 2) Templo de Luxor, 3) Museu de Luxor, 4) Vale das Rainhas, 5) Templo mortuário da Raínha Hatshepshut, 6) Vale dos Nobres, 7) Templo de Medinet Habu e o 8) Vale dos Reis (que possui 62 túmulos dos faraós e também os túmulos dos faraós Tutankhamon, Ramsés IX, Seti I, Ramsés VI e o de Horemheb).
Os túmulos aí existentes designam-se pelas siglas KV (significando Kings Valley, em português "Vale dos Reis") seguidas de um número, atribuído a ordem cronológica da descoberta de cada túmulo.
No total existem 62 túmulos, sendo o mais importante o número "62", do Faraó Tutankhamon, mais pelo espólio do achado do que, porventura, da importância do faraó.
Ramsés II presume-se, tinha mais de 150 filhos sepultados no Vale dos Reis.
Ainda hoje se continuam a retirar jóias dos túmulos dos filhos de Ramsés.
Em 1994 os arqueólogos começaram a escavar o túmulo KV5, considerado pouco importante até então. Encontrou-se o maior e mais complexo túmulo do Vale dos Reis. Julga-se ter encontrado o túmulo dos 52 filhos de Ramsés II. Até agora foram descobertos uma sala com 16 colunas, vários corredores e mais de 100 câmaras. Apesar de não terem sido encontrados tesouros, foram no entanto recuperados do entulho milhares de artefatos.
Os trabalhos arqueológicos, ainda longe do fim, prolongar-se-ão por vários anos antes de se abrir o túmulo ao público.

TUTANKHAMON

Tutankhamon foi um Faraó do Antigo Egito que faleceu ainda na adolescência.
Casou-se com Ankhsenpaaton que, mais tarde, trocaria o seu nome para Ankhsenamon.

Assumiu o trono quando tinha cerca de nove anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero (principalmente o do deus Amon de Tebas) e morreu, aos dezenove anos, sem herdeiros.
Devido ao fato de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão suntuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontradas quase intacta.
Ao ser aberta, em 1922, ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egito de 3400 anos atrás.

OLHO DE HÓRUS

* Olho de Hórus é um símbolo, proveniente do Egito Antigo, que significa proteção e poder, relacionado à divindade Hórus. Trata-se de um dos amuletos mais usados no Egito em todas as épocas.
Segundo a lenda de Osíris, na sua vingança, Set arrancou o olho esquerdo de Hórus que foi substituído por este amuleto, que não o dava visão total então colocou também uma serpente sobre sua cabeça. Depois da sua recuperação, Hórus pôde organizar novos combates que o levaram à vitória decisiva sobre Set.

O Olho de Hórus e a serpente simbolizavam poder real tanto que os faraós passaram a maquiar seus olhos como o Olho de Hórus e a usarem serpentes esculpidas na coroa. Os antigos acreditavam que este símbolo de indestrutibilidade poderia auxiliar no renascimento, em virtude de suas crenças sobre a alma.
Este símbolo também, frequentemente é usado e relacionado a Maçonaria.
O Olho Direito de Hórus representa a informação concreta, factual, controlada pelo hemisfério cerebral esquerdo. Ele lida com as palavras, letras, e os números, e com coisas que são descritíveis em termos de frases ou pensamentos completos. Aborda o universo de um modo masculino.
O Olho Esquerdo de Hórus representa a informação estética abstrata, controlada pelo hemisfério direito do cérebro. Lida com pensamentos e sentimentos e é responsável pela intuição. Aborda o universo de um modo feminino.
Hoje em dia, o Olho de Hórus adquiriu também outro significado e é usado para evitar o mal e espantar inveja (mau-olhado), mas continua com a idéia de trazer proteção, vigor e saúde.

ANKH - CRUZ DE ANSATA

A Cruz da Vida (ou Ankh), era símbolo da reencarnação. Representava, como o próprio nome diz, a vida;
Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios a usavam para indicar a vida após a morte.
A alça oval que compõe o ankh sugere um cordão entrelaçado com as duas pontas opostas que significam os princípios feminino e masculino, fundamentais para a criação da vida. Em outras interpretações, representa a união entre as divindades Osíris e Ísis, que proporcionava a cheia periódica do Nilo, fundamental para a sobrevivência da civilização. Neste caso, o ciclo previsível e inalterável das águas era atribuído ao conceito de reencarnação, uma das principais características da crença egípcia. A linha vertical que desce exatamente do centro do laço é o ponto de intersecção dos pólos, e representa o fruto da união entre os opostos.
Apesar de sua origem egípcia, ao longo da história o ankh foi adotado por diversas culturas. Manteve sua popularidade, mesmo após a cristianização do povo egípcio a partir do século III.
Os egípcios convertidos ficaram conhecidos como Cristãos Cópticos, e o ankh (por sua semelhança com a cruz utilizada pelos cristãos) manteve-se como um de seus principais símbolos, chamado de Cruz Cóptica.

MESQUITAS

Uma mesquita é um local de culto para os seguidores do islã.
O objetivo principal da mesquita é servir como local onde os muçulmanos possam se encontrar para rezar.
Segundo as crenças islâmicas, a primeira mesquita do mundo é a área em torno da Kaaba em Meca, atualmente na Arábia Saudita.
No Ocidente é freqüente pensar-se nas mesquitas como um templo semelhante às igrejas cristãs, um edifício dedicado apenas ao culto de Deus. São também locais onde se pode aprender sobre o islã.
Na realidade a mesquita é a construção mais complexa do mundo islâmico.
Hoje em dia, a maioria das mesquitas possuem grandes pátios, cúpulas, minaretes (torres altas) e salas de oração que podem assumir formas elaboradas.
No entanto, as primeiras mesquitas, que surgiram na Península Arábica eram estruturas muito simples. As mesquitas evoluíram bastante nos séculos que se seguiram, adquirindo as estruturas que lhes são hoje familiares ao mesmo tempo que se adaptaram às várias culturas do mundo.
A Mesquita de Al-Azhar, fundada em 972, foi a primeira Universidade Islâmica do mundo e logo tornou-se o centro intelectual do islamismo. Somente na Cidade do Cairo existem mais de 500 mesquitas.

FAROL DE ALEXANDRIA

Considerada uma das maiores produções da técnica da Antiguidade, o Farol de Alexandria foi construído em 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro grego Sóscrato de Cnido a mando de Ptolomeu.
Sobre uma base quadrada erguia-se uma esbelta torre octogonal de mármore com cerca de 130 metros de altura, que por mais de cinco séculos guiou todos os navegantes num raio de 50 quilômetros da antiga capital egípcia. Situava-se na ilha de Faros (origem do termo farol), próxima ao porto de Alexandria, no Egito.
Em seu interior ardia uma chama que, através de espelhos, iluminava a grande distância . A luz refletida chegava a 50 quilômetros, daí a grande fama e imponência daquele farol, que fizeram-no entrar para a lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
Essa obra, feita toda em granito, começou a ruir no Século XIV, em 1303 e 1323 quando terremotos e deslizamentos tragaram boa parte de Alexandria, acabando com o brilho da “Cidade dos Mil Palácios”.
É, talvez, com exceção das pirâmides, a única maravilha que possui alguns vestígios arqueológicos encontrados.

CAMELOS

- camelos árabes são domesticados há mais de 5.000 anos na região do Oriente Médio;

- durante muito tempo foi considerado um símbolo de e riqueza;

- apresentam em geral 2 metros de altura e 3 metros de comprimento;

- adaptam-se e toleram as mais elevadas temperaturas como também as mais baixas;

- são herbívoros e alimentam-se das plantas que encontram nos desertos;

- na falta de alimentos, ingerem qualquer coisa que encontram pela frente: cordas, sapatos, tendas...

- possuem uma boca extremamente grossa por dentro, nem mesmo um pedaço de cacto chega a incomodar;

- dromedário é o camelo com uma só corcova o que conhecemos apenas com o nome de "camelo" apresenta duas corcovas

- sua corcova chega a pesar 36 kg e contém gordura, não água como muitos pensam;

- quando não encontra nada para comer durante dias, seu organismo consome automaticamente a gordura da corcova – é seu suprimento de energia de emergência;

- a medida que a gordura é utilizada, a corcunda murcha até que a próxima alimentação seja feita em algum oásis, voltando rapidamente a forma normal;

- consegue consumir mais de 100 litros de água em apenas 10 minutos; primeiramente a água vai para o estômago, logo em seguida para os vasos sanguíneos; em apenas 10 minutos mais de 70 litros já nem se encontram mais no estômago;

- em um dia consegue carregar 180 kg de carga por quase 150 quilômetros, sem parar para beber ou comer coisa alguma;

- seu sangue é composto de 94% de água, exatamente como os humanos

- mesmo perdendo 40% de água no sangue, o camelo permanece saudável (já num ser humano, com 5% a menos a visão já fica comprometida – se a perda for de 10% a pessoa enlouquece – com 12% de perda, o sangue fica tão espesso que o coração não consegue bombeá-lo mais e pára);

- quando bebe água por 10 minutos, recupera rapidamente os 100 kg perdidos;

- suas patas são largas e se tornam-se mais largas ainda quando caminha; isso facilita sua caminhada nas dunas;

- cada pé tem dois longos dedos revestidos de couro bem grosso;

- caminha aproximadamente a 15 km por hora com carga;

- nas tempestades de areia, suas narinas se fecham porque tem músculos especiais para isso, portanto a areia fica fora, mesmo assim, permite a entrada do ar para os pulmões;

- suas pálpebras descem sobre os olhos como telas, protegendo da areia e do sol, mesmo assim, não lhe prejudicam a visão; se um grão de areia entra nos olhos, automaticamente é removido por um sistema que funciona como um colírio interno;

- a camelo fêmea produz leite rico em gordura; este leite também é utilizado para produzir manteiga e queijo;

- sua pelugem é trocada uma vez ao ano e é usada para produzir tecido e roupas;

- são conhecidos também como “navios do deserto” pela forma como balançam ao caminhar; para pessoas que não estão acostumadas, pode causar um certo enjôo;

- ambas as pernas de um lado movem-se ao mesmo tempo, elevando aquele lado; o movimento “esquerdo, direito, esquerdo, direito” dá à pessoa que está montada a impressão de que está em uma cadeira de balanço mas que se move nas laterais;

- um camelo normal pesa 450 kg;

- existe uma joelheira nas pernas dianteiras que crescem a partir dos 6 meses nos camelos e isso faz com que eles possam se levantar e abaixar com todo seu peso sem prejudicar a articulação;

- sua carne pode ser utilizada numa emergência no deserto;

- é comum no Oriente Médio comer carne de camelos jovens, apesar de sua carne ser menos atraente que a de cordeiro e de boi.

A BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA

Alexandria é uma cidade ao norte do Egito, situada a Oeste do delta do rio Nilo, às margens do Mar Mediterrâneo. É o principal porto do país, a principal cidade comercial e a segunda maior cidade do Egito. Tem cerca de 4.4 milhões de habitantes.
Possui vastas instalações portuárias(embarque de algodão). O algodão egípcio é o melhor do mundo.
A cidade ficou conhecida pelo fato de tornar-se, na antiguidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria.
A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas já construídas. Considera-se que tenha sido fundada no início do Século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II.

Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental (acreditou-se durante toda a Idade Média que tal incêndio houvesse sido causado pelos árabes).
Interior da biblioteca de Alexandria
A instituição da antiga biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas. Existia também matemáticos ligados à biblioteca, como por exemplo Euclides de Alexandria. Ela se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros.
A lista dos grandes pensadores que freqüentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes gênios do passado. Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditados a eruditos de Alexandria. Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta (nome de uma tradução da Torá para o idioma grego, feita no Século III a.C.).
Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima ao sítio da antiga.

RIO NILO

O Nilo é um rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do equador e deságua no Mar Mediterrâneo.
A sua bacia ocupa uma área de 3 349 000 km2 abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egito. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6695 km.
O Nilo, desde tempos imemoriais, é a base de tudo para as populações ribeirinhas a ele.
Era o Nilo que fornecia a água necessária à sobrevivência e do plantio do Egito. No período das cheias, as águas do rio Nilo transbordam o leito normal, cerca de 20 km, e inundam as margens, depositando aí uma camada riquíssima de húmus, aproveitada com sabedoria pelos egípcios. Tão logo o período de enchente passa, aproveitam ao máximo o solo fértil para o cultivo.
É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco , o Nilo Azul e o rio Atbara. O Nilo Branco é formado principalmente do degelo do Monte Heha, que se torna um curso de água no Burundi com nome nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.

Atualmente, o Nilo garante a sobrevivência de um décimo da população africana.

BEDUÍNOS

No mundo quente e livre do deserto, existem os BEDUÍNOS
são aproximadamente nove milhões em todo o Oriente Médio;
é um povo nômade, de vida pitoresca e fala metafórica,
seu senso de honra e hospitalidade é mundialmente célebre;
prefere morrer a trair seu hóspede ou amigo;

é amigo do fausto e do suntuoso
muitas vezes gasta numa recepção o dobro de seus haveres e passa anos a pagar suas dívidas;
anda de pés nus, mas não descobre a cabeça (acha que é decair)
adora a liberdade, não tem pátria fixa, não tem raízes e vive sempre em movimento;
sua pátria é todo lote de terra coberto de erva fresca;
quando a erva murcha, ele coloca seus utensílios sobre um camelo,
sobe em outro camelo e vai, com seu rebanho, procurar novos pastos;
talvez essa vida lhe dê a juventude eterna e a vitalidade inesgotável que todos os cronistas admiram.

DESERTO DO SAHARA

O Deserto do Sahara é o maior do mundo (área total de 9.065.000 km2). Área fértil (oásis) apenas 200.000 km2. Localiza-se ao Norte da África e está presente em 10 países (Mauritânia, Marrocos, Líbia, Egito, Mali, Níger, Argélia, Tunísia, Sudão e Chade).
A área aproximada do Sahara no Egito é de 914.000 km2.
Apresenta desníveis espetaculares onde 1/4 consiste em montanhas. Alguns trechos situam-se a 134 metros abaixo do nível do mar; outros registram alturas de até 3.300 metros. Em muitas depressões, o solo compõe-se de salinas.
Embora através destas imagens os desertos possam parecer lugares extremamente agradáveis pelo silêncio, solidão, amplitude de visão e paisagens belíssimas, é bom lembrar que suas temperaturas variam de 0º à noite (isso mesmo, muito frio!) até 50º durante o dia (insuportavelmente quente). A temperatura record foi registrada na região da Líbia: 58º.
Por ocupar uma faixa bastante extensa no Norte da África, verifica-se dois tipos de clima na região do Sahara: ao Norte (próximo ao Mar Mediterrâneo) é sub-tropical, e, ao Sul tropical. Apesar de extremamente seco, em algumas regiões do Norte pode ocorrer anualmente pouquíssima chuva.
O comprimento de leste a oeste é de 4.800 km e o de Norte a Sul é de 1.200 km.
Aproximadamente 4 milhões de pessoas vivem nas imediações no Sahara, em sua maioria beduínos. A hospitalidade árabe é conhecida mundialmente; é comum chegar a um povoado beduíno e receber um prato de refeição. Todos compartilham, mas é conveniente conhecer os costumes locais.
O Islamismo foi introduzido no Século VII. O processo de conversão demorou aproximadamente 400 anos para chegar à todos os povos do deserto; algumas vezes de forma branda através de atividades missionárias, outras por total opressão.
Mas nem todos aqueles que habitam os desertos costumam ser tão amistosos assim. Além daqueles que têm intenção de saquear, existem também predadores que saem de suas tocas (entre as pedras), durante a noite à procura de alimento: serpentes, aracnídeos, lagartos e muitos insetos.
A vida animal compreende ainda: gazelas, oryx, gerbils, jerboas, babuínos, hienas, ouriços, chacais, cervídeos, raposas, doninhas.
Isso torna as noites sombrias e de certa forma bastante perigosas.
Também contam aproximadamente 300 espécies de pássaros.
Pouquíssimas possibilidades de água e ausência quase que total de vegetação predominam. Os únicos rios que correm pelo Sahara permanentemente são o Níger e o Nilo.
Os camelos são os escolhidos como meio de transporte desde o Século III quando tomaram o lugar dos cavalos. Podem ficar até 15 dias sem beber água (tomam até 120 litros de água de uma só vez), transportar cargas, oferecer leite e numa necessidade vital, sua carne pode servir como alimento.
Dunas representam apenas 25% do total do Sahara (dunas piramidais podem atingir até 150 metros de altura, enquanto montes de areia alcançam até 350 metros). O restante são montanhas, rochedos, pedras e oásis.
Outros tipos de vegetação incluem concentrações esparsas de gramas, arbustos e árvores nas montanhas, assim como nos oásis e ao longo do leito dos rios. A principal árvore encontrada é a tamareira.
Muitos dos oásis repousam em depressões (abaixo do nível do mar), permitindo assim a existência de reservatórios de água (lençóis subterrâneos); assim a vida acontece próxima a estes poços artesianos.

Oásis

Em todos esses desertos florescem verdadeiras ilhas de verdura e de frescor, chamadas "oásis". Alguns têm uma superfície insignificante: uma fonte rodeada por algumas árvores o indispensável para justificar a esperança daqueles que vagam no deserto.

Oriente Médio 

A Liga Árabe, nome corrente para a Liga de Estados Árabes é uma organização de Estados árabes fundada em 1945 no Cairo por sete países, com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar disputas entre estes. Atualmente a Liga Árabe compreende vinte e dois Estados, que possuem no total uma população de 200 milhões de habitantes.

AS MIL E UMA NOITES

Um dia, talvez, as maravilhas da ciência ultrapassarão as das Mil e Uma Noites. Mas esse dia ainda está longe. Pois, apesar de seus satélites, a ciência não saiu do sistema solar, enquanto nas Mil e Uma Noites qualquer pessoa, montada no cavalo maravilhoso, pode subir até o ponto de onde vê as estrelas como montanhas e ouve o cântico dos anjos.

Não é surpreendente, nestas condições, que o livro e seus heróis (Aladim, Ali Babá, Simbad) gozem de celebridade universal. Mas é surpreendente verificar que, apesar dessa celebridade, poucas pessoas conheçam mesmo o livro, sua história, seu conteúdo, seu simbolismo.
O que são As Mil e Uma Noites? Essencialmente, uma coleção de histórias populares que pertencem aos gêneros mais diversos: fábulas, contos humorísticos, morais, românticos, eróticos, narrações históricas, anedotas, aventuras, guerras, viagens – num total de 500 narrativas diferentes.
Essas histórias teriam tido, sem dúvida, menor sucesso não fosse a moldura original na qual foram dispostas. Essa moldura é a aventura de dois irmãos, Shahriar e Shahezaman, que reinavam, o primeiro na Pérsia, o outro na Grande Tartária. Traídos pela respectivas mulheres, deixam seus palácios, disfarçados e decididos a voltar somente se encontrarem maridos mais desgraçados do que eles.
A busca não foi longa. Na primeira floresta, cruzam com um djim, um gigante, que carrega uma jaula na qual mantém presa uma mulher de prodigiosa formosura. Quando o gênio adormece, a mulher faz sinal aos irmãos para que se aproximem; e eles se tornam seus amantes sob os olhos velados do gênio e são despojados de seus anéis – que a mulher junta aos de 98 amantes anteriores, por ela seduzidos apesar de todas as precauções do gigante.
Consolados, os irmãos regressam aos seus palácios. Mas Shahriar, a fim de prevenir qualquer futura infidelidade, decide casar-se cada noite com uma nova donzela e mandar matá-la na aurora seguinte.
Centenas de moças são assim sacrificadas. As famílias fogem para salvar as filhas. O reino está conturbado. Então, uma das filhas do vizir, a bela Sheherazade oferece-se para casar-se com o rei, assegurando ao pai que ela possui um plano para acabar com a calamidade.
Na noite nupcial, sua irmã Duniaziade, de conluio com ela, pede-lhe para “contar uma daquelas histórias cativantes que você conhece e que fazem o tempo passar tão agradavelmente”.

- Com muito prazer – responde Sheherazade -, se meu soberano permitir.
- Sim, conta-nos uma história – diz o rei com interesse.
E Sheherazade começa sua pasmosa narrativa, assombro dos séculos, que dura exatamente mil e uma noites. Pois, a cada aurora, ela para de falar num dos pontos mais provocantes da história, prometendo continuá-la na noite seguinte. O soberano, preso pela curiosidade, adia cada vez a execução. E fica adiando mil e uma noites.
As Mil e Uma Noites permaneceram durante séculos sob forma de manuscritos dispersos em diversos países orientais.
Foi o Ocidente que as descobriu e as revelou como obra-prima da literatura universal: as traduções das Mil e Uma Noites editadas na Europa são anteriores à primeira edição do manuscrito original árabe, que só data de 1835.
O núcleo primeiro do livro é provavelmente um conjunto de antigas histórias persas, Hazar Afsana (Mil Lendas), que foi traduzido para o árabe no século VIII, sob o título de Mil Noites (Alf Laila).
Nos meados do Século X, o autor árabe, Abu Abdala Ibn Abdus, pretendeu levar a coleção realmente a mil. Mas morreu antes de escrever a metade da obra.
Por algum tempo, o livro some sem deixar traços. Reaparece no século XII, no Egito, já com o título de Mil e Uma Noites, e com histórias acrescidas, de origem síria, egípcia, turca, e talvez européia.
No século XVII, o livro dormia, ainda manuscrito, no Egito e em certas cidades libanesas e sírias.
Antoine Galland (1646 – 1715), orientalista francês, arqueólogo e funcionário da Embaixada francesa na Turquia, encontrou em Trípoli, Líbano, alguns fragmentos das Mil e Uma Noites. Eram as aventuras de Sindbad, o Marujo. Traduziu-as e publicou-as em quatro volumes. O sucesso foi imenso. Outros oito volumes se seguiram.
A tradução de Galland nem sempre era fiel. Ele adaptou e reescreveu muitas histórias. Mas era um grande narrador e soube pôr nas suas adaptações arte e vida, aproximando o original do gosto francês e europeu. Ajudou a dar à obra sua popularidade ímpar. Até hoje, a tradução francesa de Galland é o modelo das outras traduções.
Em inglês, houve três traduções no século XIX, a principal das quais, a de Richard Burton, teve tamanho sucesso que Burton apurou um lucro de 10.000 libras esterlinas e se tornou uma celebridade.
Desde então foram editadas mais de 300 edições em todas as línguas européias. Hoje, é o livro mais lido no mundo depois da Bíblia (A maior coleção de suas edições – mais de 1000 volumes – encontra-se na Chase Memorial Library em Nova Iorque).
E o sucesso não se limitou à leitura do livro. A imaginação do público exaltou-se a tal ponto com a visão do Oriente evocada nas histórias das Mil e Uma Noites que os temas orientais viraram moda. Era, na maioria das vezes, um Oriente da fantasia, povoado de grotescas figuras de califas, xeques, e cádis sem relação com a realidade. Assim mesmo, agradavam. Os imitadores se multiplicaram. Até grandes escritores aderiram à moda. Montesquieu (Lês Lettres Persanes), Voltaire (Zadig, Mahomet e outros), Victor Hugo (Lês Orientales), Beckvford (Vathek) se inspiram no Oriente a contribuem para aumentar ainda mais seu prestígio. No prefácio de Lês Orientales, Victor Hubo escreve: “Na época de Luiz XIV, todo mundo era helenista; hoje, todo mundo é orientalista.”
Além dessa influência de forma, As Mil e Uma Noites tiveram uma influência de fundo nas literaturas inglesa e francesa, que atravessavam então uma crise de crescimento, provocada pelo advento das massas ao hábito da leitura e sua preferência por uma produção menos impessoal e árida que a literatura clássica. As Mil e Uma Noites trouxeram a solução desejada. Abriram a imaginação para o espírito de aventura, o conto popular, um mundo maravilhoso de seres diferentes e alegres, sempre em movimento. “Não é temerário supor”, diz o orientalista britânico H.R. Gibb, “que As Mil e Uma Noites revelaram os horizontes que os escritores buscavam e que, não fossem As Mil e Uma Noites, não teriam existido nem Robinson Crusoé nem talvez as Viagens de Gulliver.”
Na sua biografia de Balzac, o maior criador de romances da literatura francesa, André Maurois menciona que ele lia as Mil e Uma Noites: “Em seu gabinete de trabalho, figuravam As Mil e Uma Noites, encadernadas por Touvenin”.
Os que conhecem as Mil e Uma Noites somente através das histórias de Sindbad e Aladim conhecem apenas uma das três facetas do livro: a da fantasia e exuberância. As duas outras facetas são igualmente fundamentais: a sabedoria popular e o erotismo.

A Sabedoria Popular e Sheherazade 

Essa fantasia exuberante não impede Sheherazade de incluir em suas histórias uma sabedoria que se expressa sob diversas formas.

Uma delas é o ditado ou o aforismo que, postos na boca dos personagens, refletem algum aspecto de sua experiência:  “A prudência é a metade da inteligência.”  “Não escapa ao infortúnio quem não considera as conseqüências.” “É impossível ocultar por muito tempo quatro coisas:  o talento, a tolice, a riqueza e a pobreza.” “O marido mais tolo é aquele que elogia, para sua mulher, um homem belo e valente, rico e generoso. Pois a mulher encontrará cedo demais um caminho até ele”.

Outra forma de expressão são os versos, intercalados com freqüência no texto, e que contém considerações gerais sobre a vida e suas flutuações.

Quando o destino está generoso para contigo,

Sê generoso para com os outros:

Nem a prodigalidade te perderá se ele for favorável,

Nem a parcimônia te salvará se ele for adverso.

Mas é particularmente nas fábulas e contos morais que Sheherazade esbanja sua sabedoria.  Ensina-nos particularmente três coisas: 1) a respeitar a justiça e a verdade porque, na maioria dos casos, são elas que finalmente vencem; 2) a não dar aos bens do mundo mais valor do que merecem em comparação com os bens eternos; 3) a fazer uso de nossa inteligência mais do que de nossa força para alcançar nossos objetivos.

Num desses contos, uma mulher caluniada é salva e seus dois caluniadores, apedrejados, graças a um estratagema do profeta Daniel que interroga os acusadores separadamente, exponde-lhe a malícia.  Eles, na realidade, haviam tentado seduzir a mulher virtuosa e, repelidos, acusaram-na de cometer a fornicação num jardim público.

“Em que parte do jardim vistes a mulher pecar?”,  perguntou Daniel ao primeiro acusador “Na parte ocidental, sob uma nogueira”,  respondeu.  Interrogado em separado, o segundo acusador responde: “Na parte oriental, sob um carvalho.”

Num outro conto, dois viajantes descobrem, juntos, um tesouro. No caminho de volta, cada um pensa consigo mesmo “Por que não colocar veneno na comida dele e ficar com todo o tesouro?”  Executam seus desígnios, e ambos caem mortos na estrada, e o tesouro é levado por um transeunte.

A astúcia, o artifício, a manha, o ardil são usados vitoriosamente tanto para oprimir e extorquir como para defender-se.  Esta  arte pela qual a inteligência, a sutileza, a finura triunfam sobre a força bruta é um dos espetáculos mais empolgantes das Mil e Uma Noites.

O Erotismo nas Mil e Uma Noites...

A terceira faceta do livro é o erotismo, que em nada fica a dever às obras mais pornográficas de nossa época liberal.  Nas Mil e Uma Noites, qualquer homem deseja qualquer mulher e qualquer mulher se entrega a qualquer homem.  E todos eles fazem o amor assim que se encontram, com a naturalidade com que nos apertamos as mãos.  Os soberanos encomendam dúzias de virgens com seios de bicos salientes como encomendamos caixas de uísque de determinada marca.  E, por sua vez, as mulheres chegam a um refinamento único na arte de enganar os maridos.

O erotismo das Mil e Uma Noites é tão cru que muitas edições são expurgadas dos contos mais provocantes.  Num conto, por exemplo, uma mulher tinha vários amantes: um pasteleiro, um verdureiro, um carniceiro e um clarinete da orquestra do sultão.  Cada um chega na hora marcada do dia, carregando instrumentos e presentes próprios à sua profissão – e as evocações, comparações, imagens inspiradas por esses instrumentos e presentes são dignos dos autores da Mulher Sensual.  O verdureiro, por exemplo, traz-lhe na mão uma cana-de-açúcar escolhida.  E ela lhe pergunta, rindo:

- É essa toda a cana-de-açúcar que me trazes, ó rei das canas de açúcar ?

- E ele responde: Oh, Senhora minha, a cana-de-açúcar que estás vendo não é nada comparada com que a que não vês.

À vezes, a malícia e o erotismo se misturam de maneira mais agradável que chocantes.  No conto Os Amores de Zein Al-Mauassif, um jovem e uma jovem travam conhecimento, jogando, na ausência do marido, uma partida de xadrez... Depois, o jovem colhe sua  amantes nos braços e cofre à alcova.  Ali, joga com ela uma nova partida de xadrez, seguindo todas as regras, como um verdadeiro mestre. Faz, depois, com que a sucedam uma segunda partida e uma terceira, e assim até a décima quinta, portando-se o rei em todos os assaltos tão valentemente que a jovem, maravilhada e exausta, exclama:  - Por Alá, triunfaste, ó meu senhor, dize ao rei que descanse.

Nos contos eróticos, a satisfação sexual é o único objetivo.  Homens e mulheres se entregam uns aos outros indiscriminadamente e sem nenhum obstáculo moral, hesitação, remorso, senso de proibição ou sentimentos românticos.  O gozo sexual é a suprema delícia e a meta suprema.

As pessoas nem são individualizadas.  Basta que tenham sexo.

Nas Mil e Uma Noites, todas as mulheres são insaciáveis e todos os homens, inesgotáveis.  Quando fazem o amor, fazem-no dezenas de vezes seguidas.  Um homem é tanto mais feliz quanto mais mulheres tiver.  Num conto, dois enamorados permanecem unidos, gozando um do outro e esquecendo até de comer, durante 15 dias sem interrupção.  Num outro, o herói é tratado durante um ano e um dia por 40 jovens belíssimas que tinham as caras como a lua cheia, quadris de coral, e seios que são “tentações de tomar nas mãos”.

Nos romances habituais, quando o herói e a heroína se casam, o novelista fecha a porta atrás deles e vai embora.  Nas Mil e Uma Noites, ele põe o olho na fechadura e conta minuciosamente o que vê e ouve.

Sobre os fatos acima relatados e analisados não existem controvérsias sérias.  A controvérsia relaciona-se com o sentido verdadeiro e a finalidade das Mil e Uma Noites: será ela uma simples obra de ficção, ou será uma sátira social, ou mesmo uma obra a chaves em que fantasias aparentemente levianas escondem segredos esotéricos somente acessíveis aos iniciados ?

“Sob o véu engenhoso do apólogo, diz o Larousse, esses contos tão poéticos pintam admiravelmente o caráter e os modos dos orientais”.

Mardus, que traduziu as Mil e Uma Noites para o francês, acrescenta: “As cenas são eróticas, mas não pornográficas.  Os árabes vêm todas as coisas sob o aspecto hilariante.  Seu sentido erótico só conduz à alegria.  Riem como crianças onde um puritano gemeria de escândalo.”

Jorge Adoum conclui: “Assim, em conto após conto do grande livro, aparecem as fadas, seus jardins encantados, seus tesouros indescritíveis e sua perfeita libertação deste triste cárcere de matéria física: todo um mundo impenetrável a nós como corpos, mas perfeitamente penetrável àqueles iniciados que chegaram à libertação.”

Tese engenhosa que, certa ou não, em nada prejudica o divertimento produzido pelas histórias de Sheherazade e, antes, acrescenta-lhes um fascínio especial.

via: Khaled Emam

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