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Conheça a doença que faz as pessoas transarem dormindo

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A sexônia é um distúrbio caracterizado pela manifestação sexual durante o sono e quem sofre dela não costuma se lembrar de nada no dia seguinte.

O distúrbio pode até parecer divertido, mas não é

A sexônia é um sonambulismo caracterizado por atividades sexuais.

O primeiro estudo que tratou do distúrbio aconteceu em 1996, em Toronto, e descreveu os comportamentos observados como um novo tipo de parassonia (manifestação noturna em forma de movimentos anormais durante o sono). Nessa altura os pesquisadores se referiam à doença como “sexual behavior in sleep” (comportamento sexual durante o sono).

Somente dois anos mais tarde o distúrbio passou a ser designado por “sleepsex” e em 2003 o termo “sexônia” foi cunhado por Corin Shapiro numa publicação de um caso.

MANIFESTAÇÃO

O indivíduo que sofre de sexônia manifesta desejo de atividades sexuais enquanto dorme. Esse desejo pode se expressar em vocalização, em masturbação ou em sexo propriamente dito. Mas para a terceira opção acontecer é natural que haja uma outra pessoa para atender às necessidades em questão.

A primeira vista pode soar divertido ter alguém ao lado disposto a transar a noite toda, mas esse distúrbio não é tão agradável para quem sofre.

Há um caso publicado pelo New Scientist em 2004 de uma australiana que saia de casa durante a noite e transava com estranhos enquanto estava em processo de sonambulismo. Isso aconteceu até que seu marido lhe flagrasse em pleno sexo com um mané qualquer nas redondezas de sua casa. Os dois se disseram surpresos com a realidade, já que tinham um casamento feliz.

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O fator mais angustiante para as vítimas da sexônia é que elas não se lembram do ocorrido. Algumas vezes as pessoas acordam durante as atividades sexuais sonambúlicas – o que costuma assustá-las -, mas normalmente é uma surpresa saber que tiveram uma transa e tanto durante a noite.

SEXÔNIA NÃO É CRIME

Por conta dessa inconsciência da atividade, o distúrbio já serviu para a absolvição de alguns casos criminais.

Em 2005 aconteceu o primeiro deles. O tribunal de Toronto, no Canadá, inocentou um rapaz que havia sido julgado por agressão sexual ao classificar seu estado mental de “automatismo não-insano”, o que afirmava que ele estava inconsciente durante a ação – e quem não tem consciência de suas atitudes não pode ser incriminado.

Caso semelhante aconteceu ano passado, na Dinamarca, quando um rapaz de 31 anos abusou sexualmente de duas adolescentes de 17 em seu apartamento após uma festa. As moças o denunciaram, mas o tribunal de Glostrup, em Copenhague, absolveu o agressor após testes médicos comprovarem que ele sofria de sexônia.

Ainda há outro caso ocorrido em 1998, quando o distúrbio estava passando pelos primeiros estudos. Conta-se que uma menina de 7 anos adormeceu na casa de sua avó, em Nova Jersey, e acordou no meio da noite com sua calça no tornozelo e o namorado de 41 anos de sua progenitora pelado à sua frente.

A menina gritou e o rapaz despertou perguntando o que ela estava fazendo em seu quarto. Quando a menina respondeu que aquele quarto não era dele, o moço se cobriu e debandou do lugar. Mais tarde a avó também acordou com ele pelado à sua frente – mas dessa vez chorando e gritando de desespero.

Richard Overton, o tal do rapaz, foi absolvido das acusações de tentativa agressão sexual grave e abuso sexual de segundo grau pelo mesmo motivo citado nos dois casos anteriores.

Nesse estudo publicado em agosto, que tratou sobre o tema da sexônia, dos 18 casos abordados que envolviam crimes denunciados, em 14 os agressores foram absolvidos.

MISTÉRIOS DA DOENÇA

Apesar da sexônia ainda estar envolta por muitos mistérios, já se sabe que ela pode ser desencadeada por estresse, privação de sono e consumo excessivo de álcool ou drogas. Sabe-se também que o distúrbio normalmente acontece durante o sono classificado como NREM (movimento não rápido dos olhos), mais especificamente durante as fases 1 e 2 da NREM, onde o sono ainda está leve e não há sonhos.

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Mas seus verdadeiros motivos e seus processos ainda são desconhecidos (assim como o próprio sono em muitos aspectos).

Em um estudo realizado em 2010 pela American Academy of Sleep Medicine com pacientes de uma clínica para distúrbios do sono, foi averiguado que 7,6% das pessoas estudadas iniciaram ou se envolveram em atividades sexuais durante o sono.

Apesar do valor relativamente alto em uma população com algum distúrbio do sono, a sexônia é uma doença rara na população geral e atinge em sua maioria homens na faixa dos 20-30 anos.

O distúrbio ainda precisa ser muito estudado pelos pesquisadores. Por conta do conhecimento limitado que se tem dele hoje em dia, seu diagnóstico não é dos mais fáceis e precisa ser realizado por médicos especialistas, assim como o tratamento. No Brasil nós temos o ótimo Instituo do Sono, em São Paulo, que é referência mundial no assunto (sono).

Se você suspeita que sofre de sexônia, portanto, não precisa ter vergonha para procurar ajuda, pois é um distúrbio do sono já bastante propagado no meio profissional.

Agora que você sabe de tudo isso, pode começar a agradecer pelo ronco tranquilizante de quem dorme ao seu lado.

via: elhombre

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