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Doença grave faz moradores se trancarem dentro de casa

Araras, no estado do Goiás, parece uma cidade fantasma. A maioria dos moradores sofre de xeroderma pigmentoso (XP), o que significa que a pele é incapaz de reparar os danos causados pela luz ultravioleta.

Das 800 pessoas da região, 600 são afetadas pela doença. Destas, 20 têm sintomas e são suscetíveis a uma forma agressiva de câncer de pele.
O rosto de Djalma Jardim foi devastado pela doença, restando-lhe apenas um olho. Ele dormia com um emplasto sobre a pálpebra, uma vez que não conseguia fechá-la.
"Se eu sair, sinto o sol me queimando", disse. "Um dia fui dormir com uma pequena pinta. Então, foi crescendo rapidamente e não parou até se tornar o que eu tenho hoje. É uma doença terrível."
Após a entrevista, a doença agravou a sua condição e, infelizmente, lhe custou a vida.


Sua família já perdeu outro parente em decorrência dessa doença. Outros irmãos de Djalma também são afetados pela mesma causa.
Produtor de leite, Deide também perdeu grande parte de seu rosto devido à doença incurável. "Eu tive que fazer uma cirurgia para remover parte do maxilar. Sem a prótese, eu não consigo falar."
A dona de loja Gleice Machado estava ansiosa para descobrir o que estava causando a epidemia, após tantos afetados aparecerem na sua porta.
"Eu não tinha ideia do que era e o motivo de eles estarem assim", afirma. "Alguns acreditavam que era uma doença sexualmente transmissível. Outros disseram que era um castigo de Deus."
Ela apenas teve consciência da condição após a imprensa local disparar a história na mídia nacional.
O geneticista de São Paulo, Dr. Carlos Menck, reconheceu a doença e ficou ansioso para saber por que era desenfreada naquela região.


"Fomos para Araras tentar identificar algumas mutações genéticas que afetam os pacientes. Até pouco tempo atrás, as pessoas acreditavam que era uma doença contagiosa, mas é hereditária."
Após diversos testes em toda a população, Menck e sua equipe descobriram que 600 dos 800 moradores carregam o gene da doença.
A dermatologista Sulamita Chaibub afirma: "Em Araras há uma concentração de pessoas com o gene defeituoso. Elas se casam e o gene torna-se dominante, desencadeando a doença."
Não há cura para o XP, mas os médicos recomendam que os moradores fiquem completamente longe do sol.
De acordo com Dr. Menck: "Não é possível curá-los imediatamente. Mas espero que isso possa acontecer em 20 ou 30 anos."
Via: Jornal Ciência
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