As cartilagens exercem funções bastante importantes no corpo humano, ajudando suavizar o impacto e o atrito na junção de ossos – como acontece no joelho – e servindo de base para moldar partes mais flexíveis, como o nariz e a orelha. 

Como a regeneração desse material não é nada rápida no caso de desgastes – graças à falta de circulação sanguínea nesses tecidos –, cientistas estão trabalhando com técnicas de bioimpressão para auxiliar nesse processo.

Se você não é mais tão jovem e costuma bater uma bolinha de fim de semana, por exemplo, sabe que qualquer dano à cartilagem pode resultar em incômodos ou mesmo dores fortes na hora do exercício, além de demorar bastante para que esse quadro se reverta. 

Por conta desse cenário desfavorável, já há algum tempo, diversas pesquisas a respeito do uso de impressoras 3D para a fabricação desse item biológico têm surgido ao redor do mundo, combinando o uso de alguns polímeros e de células de cartilagens saudáveis.

(Exemplo de cartilagem criada através de impressão 3D)

Ingredientes certeiros

Depois de avanços obtidos nessa área por um dos departamentos do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, foi a vez de uma equipe sueca demonstrar a viabilidade desse tipo de procedimento. Durante um evento científico realizado nos Estados Unidos, o time liderado por Paul Gatenholm apresentou os resultados dos primeiros testes do novo tratamento biomédico feito em ratos de laboratório.

“Nosso interesse é trabalhar junto de cirurgiões plásticos para criar cartilagem e reparar danos de lesões ou câncer. Nos focamos nas orelhas e no nariz, que são partes que os cirurgiões ainda têm dificuldade em consertar”, explicou Gatenholm, que prevê que esse tipo de tecnologia tem tudo para revolucionar a engenharia de tecidos e a medicina regenerativa. O grupo da Suécia, no entanto, enfrentou algumas dificuldades com a técnica, inicialmente.

 Como nas operações tradicionais é preciso cultivar as células em um uma espécie de estrutura-base, o método de impressão – que precisa gerar ambos os itens de uma só vez – acabava muitas vezes resultando em uma massa que não se mantinha firme. Para resolver isso, os pesquisadores recorreram a materiais diferentes para aumentar a estabilidade do produto final. No fim, o responsável pela estrutura impressa foi uma mistura de polissacarídeos de algas castanhas e fibras de celulose extraídas da madeira.


O tecido, então, foi implantando em um rato vivo que respondeu bem ao procedimento, uma vez que as células sobreviveram e começaram a produzir cartilagem – com essa produção aumentando consideravelmente com a adição de células-tronco ao corpo do roedor. Com o sucesso desse método, Gatenholm revelou que está trabalhando para garantir que tudo esteja dentro dos conformes – e funcionando corretamente – para que seja possível dar início a testes clínicos em humanos.


Via: CNET / Michelle Starr