Ceticismo

Como você pode imaginar, os planos de Canavero foram recebidos com bastante ceticismo e foram fortemente criticados por médicos de várias instituições de renome. Segundo os especialistas contrários ao transplante de cabeça — ou de corpo, dependendo de como você olhar para a coisa —, além de as chances de sobrevivência do paciente serem incrivelmente remotas, no caso de que a cirurgia seja um sucesso, Spiridonov poderá ter problemas sérios.

Sergio Canavero

De acordo com Hunt Batjer, presidente da Associação Americana de Neurocirurgiões, o que Spiridonov enfrentará depois do transplante pode ser pior do que a própria morte. Conforme disse o médico, ele não desejaria o que o russo poderá vivenciar — caso o procedimento dê certo — a ninguém, nem permitiria que qualquer pessoa se submetesse a essa cirurgia.

Segundo Hunt, ninguém, na história da humanidade, passou pela experiência de entender como é estar vivo no corpo de outra pessoa — de olhar para baixo e ver que aquilo tudo não pertence a você. Conforme acreditam alguns, as consequências psicológicas de fundir uma cabeça a um corpo estranho podem ser devastadoras. Contudo, é claro que Sergio Canavero já pensou em uma forma de contornar esse problema!

Novidades

O cirurgião italiano anunciou no último fim de semana que, para ajudar seu paciente a lidar com as possíveis “reações psicológicas inesperadas” após a operação, ele será colocado em uma máquina de realidade virtual para ir se acostumando com a ideia de ter um corpo novo. Confira a seguir:

O sistema acima foi desenvolvido por uma companhia de Chicago chamada Inventum Bioengineering Technologies, e tem como objetivo ajudar os pacientes que passem por transplantes de cabeça a lidar com o impacto psicológico de olhar para si mesmos e ver o corpo de outra pessoa. Se você acha que isso não seria um problema, vale lembrar que a primeira pessoa da História a passar por um transplante de mão se arrependeu e acabou tendo o membro amputado!

Segundo o pessoal da Inventum, Spiridonov será submetido a sessões de realidade virtual que exigirão dele o uso de movimentos corporais. Conforme explicaram, a tecnologia foi desenvolvida com base em técnicas empregadas na neurorreabilitação convencional, e permitirá que o russo vivencie as sensações envolvidas nas funções motoras voluntárias o mais próximo possível da realidade.

O “treinamento” deve ser iniciado vários meses antes de Spiridonov se submeter ao transplante — agendado para o fim do ano que vem — para que ele tenha tempo de se adaptar à vida com o novo corpo. Se Spiridonov vai sobreviver à cirurgia e as sessões na máquina de realidade virtual vão mesmo funcionar, só o tempo poderá dizer.