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Cirurgia bariátrica deve ser último recurso contra a obesidade

O índice de brasileiros acima do peso segue em crescimento no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2015. Mais da metade da população está acima do peso (52,2%), destes 17,9% são obesos.

Os cuidados com a saúde devem ocorrer antes mesmo que se chegue no sobrepeso. Por isso, é essencial realizar exames médicos periodicamente, buscar uma nutricionista para manter uma dieta balanceada e sempre praticar atividades físicas. Estas são atitudes preventivas.

No entanto, muitas pessoas, por motivos emocionais, genética ou de saúde, chegam à obesidade, que é o acúmulo de gordura no corpo. Para lutar contra este mal, é preciso ter acompanhamento médico, psicológico e físico. Em último recurso, a cirurgia bariátrica é considerada.

De acordo com o Ministério da Saúde, “para ser um paciente com indicação para a cirurgia, ele não deve ter respondido ao tratamento clínico. Ou seja, recebeu orientação e apoio para mudança de hábitos, realizou dieta, teve atenção psicológica, realizou atividade física e, em alguns casos, fez uso de medicamentos por, no mínimo, dois anos”.

Dados do Ministério da Saúde mostram que houve um aumento no número de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS entre 2010 e 2015 – o aumento foi de 4.489 para 7.530 procedimentos.

No Brasil, há 75 hospitais públicos habilitados para atendimento das pessoas com obesidade e estão localizados em 21 estados: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O paciente que precisar da cirurgia onde não há oferta do tratamento poderá receber um encaminhamento para outro Estado, por meio da Central Nacional, que irá encaminhá-lo para o hospital habilitado. Para isso, o paciente deverá fazer os tratamentos contra obesidade pelo SUS.
Possíveis dúvidas sobre a cirurgia bariátrica respondidas pelo Ministério da Saúde:
Há alguma restrição de idade?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu a classificação do excesso de peso e da obesidade baseada no índice de massa corporal (lMC) para adultos de ambos os sexos. O lMC é obtido por meio da divisão do peso (quilogramas) pelo quadrado da altura (metros). Pessoas com lMC de 25 a 29,9 kg/m² foram classificados como acima do peso ideal ou sobrepeso, já que o ponto de corte para a definição de obesidade é lMC≥ 30 kg/m². Quando este índice é igual ou superior a 40 kg/m², a obesidade é denominada mórbida ou grave, o que corresponde aproximadamente a 45 kg acima do peso ideal. O termo super obeso é usado para designar os pacientes com lMC≥ 50 kg/m².
Podem realizar o tratamento cirúrgico, segundo protocolo do Ministério da Saúde:
  1. Pessoas que apresentem IMC ≥50 Kg/m2;
    b. Pessoas que apresentem IMC ≥40 Kg/m², com ou sem doenças associadas, sem sucesso no tratamento clínico por no mínimo dois anos.
    c. Indivíduos com IMC > 35 kg/m2 e com problemas de saúde como alto risco cardiovascular, Diabetes Mellitus e/ou Hipertensão Arterial Sistêmica de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas sem sucesso no tratamento clínico.
    d. Nos jovens entre 16 e 18 anos, a cirurgia poderá ser indicada após avaliação de dois profissionais para que seja analisada a fase de crescimento.
Por que é importante envolver outros profissionais de saúde no processo que antecede a cirurgia (psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta)?
A obesidade é uma doença que envolve vários fatores e, por isso, seu tratamento necessita de uma equipe multiprofissional. É importante lembrar que a participação de uma equipe multiprofissional integrada é fundamental para compreender o indivíduo em sua totalidade. As orientações nutricionais são essenciais, uma parte essencial do tratamento, pois direcionam as escolhas alimentares do paciente. O tratamento psicológico é fundamental para cuidar do paciente por dentro e por fora. A atividade física é considerada parte integral da perda e manutenção do peso.
Fazem parte da equipe:
  • a) Médico especialista em cirurgia geral ou cirurgia do aparelho digestivo;
  • b) Nutricionista;
  • c) Psicólogo ou Psiquiatra;
  • d) Clínico geral ou endocrinologista.
No suporte dessa equipe ainda poderão contribuir, parte da equipe do hospital, os seguintes profissionais:
  • a) Clínico geral, cardiologista, pneumologista, endocrinologista, angiologista/cirurgião vascular e cirurgião plástico;
  • b) Anestesiologista;
  • c) Equipe de Enfermagem;
  • d) Assistente Social,
  • e) Fisioterapeuta.
Há alguma contraindicação à cirurgia?
Alguns pacientes, mesmo estando dentro dos critérios mencionados, podem apresentar situações específicas que devem ser avaliadas – o que pode ser motivo de contraindicação ao tratamento. Seguem algumas restrições:
  1. Adolescentes:só podem ser operados pacientes com mais de 16 anos. Mesmo assim, pacientes que tenham entre 16 e 18 anos necessitam de avaliação clínica e psicológica especial, consentimento da família e aprovação de comissão de ética do hospital aonde será feita a cirurgia.
  2. Idosos com mais de 65 anos:esses pacientes necessitam avaliação pré-operatória especial, de preferência com médico geriatra, para avaliação dos benefícios da cirurgia.
  3. Pacientes com antecedentes de doença psiquiátrica, alcoolismo ou uso de drogas:esses pacientes necessitam de avaliação psiquiátrica detalhada para se estabelecer o controle ou não de doenças psiquiátricas pré-existentes e do vício.
  4. Pacientes com cirurgias abdominais prévias:pode dificultar a realização da cirurgia e deve ser avaliado pelo cirurgião.
  5. Portadores de doenças crônicas (anemia, insuficiência renal, doenças do fígado, doenças endócrinas entre outras):embora não se constituam em contraindicações absolutas, podem aumentar o risco cirúrgico ou interferir na escolha da técnica que será empregada.
Vale destacar: Em situações consideradas extremas, a exigência de dois anos de tentativa de tratamento clínico para indicação cirúrgica pode ser extinta. É o caso dos pacientes super obesos, ou seja, que têm IMC superior a 50 Kg/m².
No entanto, esta situação não exime o paciente de passar por todas as fases de avaliação pré-operatória, essenciais para a segurança e sucesso do tratamento e obrigatória para todos os pacientes, que incluem: avaliação clínica com endocrinologista e cardiologista, avaliação nutricional, avaliação psiquiátrica ou psicológica.
Fonte: Ministério da Saúde
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