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Depressão Encabeça a Lista dos Conflitos Mais Frequentes na Adolescência

Ansiedade, mau humor, irritação com tudo o que os pais dizem...esses são alguns dos distúrbios emocionais apresentados na adolescência. Você sabe por que eles ocorrem? Pelo simples fato do não entendimento, por parte dos jovens, das mudanças que ocorrem nesta fase da vida. “Quando somos crianças, as coisas parecem se resolver por si mesmas. Então, o futuro parece ser algo muito distante ainda. A adolescência marca a chegada dele. Mudam as exigências, interesses e os pais não sabem como lidar porque para eles, o filho adolescente vai ser sempre uma criança. Essa sensação de incompreensão presente em casa, já passa a ser o primeiro conflito”, explica o psicanalista Paulo Miguel Velasco

“A chegada das responsabilidades pode acabar gerando as alterações emocionais presentes na adolescência. Até então, tudo era resolvido pelos pais. Quando atingem a adolescência, a preocupação com os estudos, carreira e até mesmo as primeiras paixões e desilusões amorosas geram a sensação de desespero e eles acabam se sentindo perdidos. Tudo é envolto em incertezas e o jovem se vê sozinho, o que o faz muitas vezes recorrer à internet em busca de respostas, ao invés de se abrir com os pais ou demais familiares próximos”, comenta ele. 

(Psicanalista Paulo Velasco - Contatos pelo e-mail: paulo.velasco.psi@gmail.com)

Diante deste cenário, o especialista alerta para os riscos de ele se tornar uma pessoa introspectiva demais preferindo até o isolamento em seu quarto. Este comportamento pode desencadear uma depressão. “Em cada cinco adolescentes, três são depressivos. O distúrbio já é considerado hoje, a terceira doença mais frequente no mundo e pode ocupar o primeiro ou segundo lugar, daqui 10 anos. Ela se alastra como uma virose e não escolhe classe social.  Simplesmente vem, chega e se instala”, alerta. Velasco ainda reforça sobre os quadros de ansiedade e os transtornos do pânico, alimentar (anorexia e bulimia) e obsessivo compulsivo engrossarem a lista dos conflitos que começam a aparecer na vida do adolescente, a partir dos 12 anos.

O papel da família

O fato de não compartilharem as aflições, inquietações e demais sentimentos com os pais, pode causar sérios danos na idade adulta, pois como disse o especialista, se não resolvidos no momento correto, os conflitos não cessarão na transição para a vida adulta e atingirão estágios de traumas e complexos seríssimos que deverão ser tratados com a ajuda de um especialista. Por isso que eu sempre insisto na questão de que os pais precisam aprender uma nova forma de lidar com os filhos, porque eles também ficam perdidos. Se veem na seguinte situação:  “E agora, o que fazer e onde levar meu filho para saber o que ele tem? Pediatra já não posso mais! ” A procura por um profissional de saúde mental é a decisão mais indicada. Ele não cuida somente de loucura, mas sim de comportamentos. "A grande dúvida é se os sentimentos são normais ou desajustes e o profissional pode ajudar a responder essa e outras questões. Como já foi dito, a insatisfação e os conflitos dos jovens com vários aspectos da própria vida podem eclodir na vida adulta. Portanto, tratá-los enquanto há tempo é o melhor que se tem a fazer. Nesse momento, a família tem papel fundamental.”, aconselha o psicanalista. 

Em suma, o grande problema dos jovens é a falta de informação, até mesmo para os conflitos que aparecem na transição para a adolescência. Os pais, sempre muito ocupados, não chegam a perceber que o filho precisa de ajuda e este acaba buscando repostas na escola, com os professores, sempre grandes aliados e confidentes que, por viverem no universo dos jovens, já sabem como lidar com a situação e falam de igual para igual. 

“Diante de tudo, eu digo que os conflitos e incômodos dos adolescentes são muito importantes para que eles possam conhecer o lado sombrio da vida. Não é uma tarefa fácil, mas depois do furacão, ele vai aprender a valorizar algumas coisas na vida. Quanto aos pais e familiares, esses devem prestar mais atenção para agirem da forma correta. Os pais devem orientar, principalmente nas questões sobre sexualidade. Quando começam a aprender a lidar com tudo isso, os filhos ficam mais fortes”, orienta Velasco.

No vídeo a seguir você pode encontrar outros esclarecimentos sobre a depressão e o uso de antidepressivos na adolescência :

Fonte: espro.org.br
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