Quando as estrelas supermassivas estão chegando ao fim de suas vidas, isto é, depois que elas consomem todo o seu combustível e seus núcleos entram em colapso, esses astros explodem — em um evento astronômico espetacular chamado supernova. Essas explosões estão entre as maiores que ocorrem na natureza, e produzem ondas de choque que podem viajar por vários anos-luz através do Universo.

Diversas dessas explosões já foram testemunhadas pelos astrônomos ao longo  da História — e inclusive existe um texto árabe do ano 1006 que descreve uma delas! — e registradas nos últimos anos graças aos avanços tecnológicos e ao melhor entendimento que a Ciência tem desses eventos. No entanto, a primeira vez que uma supernova foi monitorada detalhadamente por meio de instrumentos de observação modernos foi há 30 anos.

Testemunho

De acordo com Dave Mosher, do portal Business Insider, no dia 24 de fevereiro de 1987, os astrônomos Oscar Dhalde e Ian Shelton estavam de boa em uma montanha no Chile observando umas estrelas quando notaram que havia algo diferente no céu.

Ali no meio se encontra o "algo diferente" que os astrônomos descobriram. Em um primeiro momento, a dupla pensou que se tratava do nascimento de um novo astro, mas logo os cientistas se deram conta de que, na verdade, eles estavam testemunhando a morte de uma supergigante azul chamada Sanduleak −69° 202. E que morte! Quando foi avistada, o combustível presente no núcleo da estrela estava acabando e as reações nucleares que a mantinham viva estavam começando a falhar.

A SN 1987A observada em diferentes comprimentos de onda. Embora alguns astrônomos argumentem que a supernova aconteceu devido à fusão da Sanduleak com outra estrela, o consenso é de que o astro explodiu porque queimou mesmo toda a sua energia. E o colapso do astro gerou uma liberação de energia equivalente à de 100 milhões de sóis!

O fato é que todas as fases do processo foram propriamente monitoradas e a supernova foi batizada de Supernova 1987A, e para comemorar os 30 anos de sua descoberta, a NASA liberou uma série de imagens e vídeos. O que você pode conferir a seguir, por exemplo, mostra a localização da SN 1987A: 


Ficou impressionado com a distância da supernova? Os vestígios da explosão se encontram na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia que fica nas imediações da Via Láctea e está a cerca de 160 mil anos-luz de distância da Terra — o que significa que, tecnicamente, a explosão aconteceu há 160 mil anos e esse foi o tempo que a luz levou para viajar até nós!

Já o vídeo a seguir, criado a partir de observações realizadas pelo telescópio espacial Hubble uma vez ao mês ao longo de 20 anos, mostra a onda de choque gerada pela supernova. Confira:


Até hoje os astrônomos acompanham a evolução da supernova e, de acordo com a NASA, as últimas observações revelaram que a onda de choque está viajando além do denso anel de gás produzido durante os estágios finais da vida da Sanduleak, em sua fase anterior à supernova. Segundo explicaram, eles detectaram um rápido fluxo expelido pela estrela durante a explosão original colidindo com um fluxo mais lento gerado em uma fase anterior da evolução do astro, aquecendo esse material. Veja a seguir:

A Onda de choque continua viajando nas imediações da supernova. Agora, como os astrônomos não sabem exatamente o que existe além do anel, eles continuarão observando a supernova para descobrir o que vai acontecer depois. No entanto, os cientistas acreditam que, ao longo dos próximos milhares de anos, o gás em expansão continuará se espalhando até, eventualmente, após percorrer vários milhares de anos-luz, se dispersar.

Evolução da supernova. Com isso, a supernova disseminará pelo espaço os elementos criados na estrela e, quem sabe, isso resulte na formação de novas estrelas. De qualquer forma, o acompanhamento da evolução da SN 1987A permitirá que os astrônomos entendam melhor o processo de nascimento de novos astros — e até da vida como a conhecemos. 
Fontes: nasa.gov / businessinsider.com.au / megacurioso.com.br