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Cientistas Descobrem Uma Nova Função dos Pulmões

Ao pensarmos na função dos pulmões, rapidamente nos lembramos da sua importância no sistema respiratório, assim como quando pensamos na medula óssea a relacionamos com a produção de sangue. A essa altura do texto, você já deve estar pensando em “Qual a relação entre esses dois órgãos?”. Correto? De fato eles estão muito relacionados... Segundo um estudo publicado na renomada Revista Nature no último mês, os pulmões além de fundamentais no sistema respiratório, desempenham funções na produção sanguínea também!

Cientistas da Universidade da Califórnia (São Francisco - Estados Unidos) realizaram o estudo através de microscopia de vídeo no pulmão de um camundongo vivo e demonstraram que os pulmões são também responsáveis pela produção de plaquetas. As plaquetas são responsáveis pelo processo de coagulação sanguínea, o que em um processo de hemorragia, por exemplo, auxilia na interrupção do sangramento.

(Cientistas descobriram que os pulmões são também responsáveis pela produção de plaquetas em camundongos)

O objetivo inicial do estudo era examinar as interações do sistema imunológico com as plaquetas presentes nos pulmões de camundongos, utilizando marcadores que emitem fluorescência. Curiosamente os cientistas observaram nos pulmões uma quantidade enorme de megacariocitos – células de grande dimensão responsáveis pela produção de plaquetas. Através do acompanhamento dos megacariocitos, foi constatado que os pulmões são responsáveis por 50% da produção total de plaquetas no corpo dos camundongos, o que corresponde a cerca de 10 milhões de plaquetas por hora.

(Através do acompanhamento dos megacariócitos, cientistas constaram que os pulmões são responsáveis pela produção de cerca de 10 milhões de plaquetas por hora em camundongos)

Após esta descoberta, os pesquisadores passaram a observar “a viagem” das células dos pulmões para a medula óssea, e isto foi realizado através de 3 experimentos:

1º experimento: transplante de pulmões de camundongos normais para camundongos com megacariócitos fluorescentes;

2º experimento: transplante de pulmões de camundongos com megacariocitos fluorescentes para camundongos com poucas plaquetas;

3º experimento: transplante de pulmões de camundongos com fluorescência em todas as células, para camundongos cuja medula óssea não possuía células-tronco (células que podem se diferenciar em diversos tipos de células com funções específicas) normais.

No transplante de pulmões de camundongos normais para camundongos com megacariocitos fluorescentes (1º experimento), eles puderam constatar que os megacariocitos eram originados na medula óssea e viajavam até os pulmões para produzirem plaquetas.

O resultado do 2º experimento, transplante de pulmões de camundongos com megacariocitos fluorescentes para camundongos com poucas plaquetas, foi o reestabelecimento rápido dos baixos níveis das plaquetas para níveis normais. Os pesquisadores concluíram que as células progenitoras (capazes de se diferenciarem em uma outra célula, assim como as células tronco dos megacariocitos produziram células saudáveis capazes de reestabelecer a produção adequada de plaquetas.

Por fim, o 3º experimento, o transplante de pulmões de camundongos com fluorescência em todas as células, para camundongos cuja medula óssea não possuía células-tronco normais, mostraram a rápida viagem das células com fluorescência dos pulmões transplantados para a medula óssea danificada, produzindo além de plaquetas, outras células do sistema imunológico, como neutrófilos, linfócitos T e B.

Este é o primeiro estudo que descreve células progenitoras de sangue nos pulmões. Eles, que antes eram lembrados somente por conta do sistema respiratório, além de possuírem células progenitoras de sangue, são capazes de reabastecer uma medula óssea danificada e restaurar a produção de muitos componentes sanguíneos relacionados ao sistema imunológico.

Tratar doenças sanguíneas a partir de plaquetas produzidas nos pulmões e descobrir como os pulmões e a medula óssea podem, em conjunto, produzir um sistema sanguíneo saudável, devem ser os próximos questionamentos respondidos a respeito do assunto, o que representa um grande avanço na medicina e uma grande esperança para pacientes com doenças relacionadas ao sistema sanguíneo. 
Fontes: nature.com / icb.usp.br / biologiatotal.com.br
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