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Resiliência Humana - A Arte de Superação

Ao longo da vida, caímos, levantamos e sofremos ferimentos profundos. Nesses momentos, o importante é saber lidar com a dor e acreditar que tudo vai melhorar. 

O termo resiliência migrou do mundo da Física para o comportamental. Originalmente, traduz a capacidade de um corpo de se deformar por obra de agentes externos e, depois, recuperar a forma natural.

Nos momentos adversos, vemos desabrochar em algumas pessoas um impulso vital que permite a elas sobreviver a todo tipo de dor: luto, abandono, negligência, violência. Essa força, chamada de resiliência, faz com que não desistamos da luta, até o milagroso momento em que somos transformados por ela.

O papel da resiliência é desenvolver a capacidade humana de enfrentar, vencer e sair fortalecido de situações adversas. É como um barco atingido pela tempestade em alto-mar, mas que continua navegando, apesar das velas rasgadas e do casco deteriorado.

Ser resiliente é unir forças

Mais do que uma capacidade individual, a resiliência é um processo que se ativa dentro de nós de acordo com as necessidades impostas pela vida. Todos dispõem dessa ferramenta. No entanto, ela costuma ser favorecida ou não pelas características pessoais e ambientais de cada um.

Se o indivíduo possui tendência a ser otimista, boa autoestima e conta com uma rede de apoio, o processo de recuperação será mais fácil. Já para os mais fechados e desprovidos de amigos e familiares, a caminhada será mais penosa.

É importante reservar um espaço para a criatividade e a surpresa. Estamos, neste caso, nos referindo àquela chama interior que nos surpreende com soluções e respostas nunca antes cogitadas.

Todas essas influências irão determinar o ângulo através do qual enxergamos uma situação ruim, bem como o tipo de reação esboçada após o choque. Muitos daqueles que perderam suas casas em enchentes conseguiram, apesar de tudo, se sensibilizar com os desdobramentos positivos da desgraça, como, por exemplo, a manifestação da solidariedade alheia, a formação de novos amigos. De fato, sem afeto, ninguém chega longe.

Dê adeus aos traumas


Cercar-se de ombros amigos ajuda e muito a aliviar a dor. Da mesma forma, falar sobre o que passou e, de preferência, para um terapeuta, é crucial se quisermos elaborar o ocorrido e seguir adiante.

Por mais difícil que seja, temos de acionar a coragem e recontar em detalhes a história que tanto nos machucou. O objetivo da terapia é, inicialmente, ajudá-lo a estruturar sua narrativa.

Com as ideias em ordem, o paciente racionaliza o episódio doloroso e consegue se reencontrar. Eventualmente, há uma colheita de aspectos proveitosos de uma situação inicialmente negativa.

Um dado surpreendente. Não só os acontecimentos avassaladores são capazes de nos lançar numa fase sombria. Ocorrências menos graves, porém, igualmente destrutivas, também são consideradas traumáticas. Por isso, são chamadas de microtraumas.

Esses eventos deixam resíduos que vão se acumulando com o passar do tempo, prejudicando a qualidade de vida. Portanto, cuidado ao minimizar o potencial desastroso de certos hábitos e padrões de comportamento, tais como ansiedade fora de controle, sensação de solidão, compulsão por comida, compras ou jogo.

Renascendo das cinzas
 
Uma maneira de se fortalecer é resgatar a memória de autoeficácia. Quando alguém está fragilizado, tende a desprezar uma série de eventos do passado em que venceu adversidades. Ao lembrar-se dessas vitórias, passa a acreditar que também será capaz de superar o que o aflige hoje.

Acionar as antenas e captar influências benéficas de pais, familiares, professores, mestres espirituais, amigos, livros e filmes também ajuda a impulsionar a virada. Portanto, da próxima vez que se sentir desarmada diante de um baque inesperado, lembre-se de que o fortalecimento interior é um aprendizado constante.
 
Viva de peito aberto. De preferência, sem jamais perder de vista o horizonte à nossa frente.

Fonte: casa.abril.com.br
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