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Freud e o Homem dos Lobos

Um desses pacientes foi o nobre russo Serge Pankejeff, conhecido como o homem dos lobos, um dos casos freudianos mais famosos, ele procurou Freud em 1910 e sua análise durou mais de quatro anos.

Com o desenvolvimento da psicanálise, Freud começou a atender mais pacientes que vinham procurá-lo em função de distúrbios emocionais, do que por sintomas físicos. 
 
Ainda que sua doença inicial fosse gonorreia, ele acabou ficando deprimido, sendo diagnosticado como portador de distúrbio maníaco-depressivo. 

 
Em seu relato de caso, Freud enfatizou muito um sonho que o paciente recordava ter tido aos quatro anos de idade. Ele, no sonho, se lembrava de que estava dormindo em sua cama quando a janela se abriu de repente, vendo horrorizado, aproximadamente sete lobos brancos sentados em uma árvore do jardim. Os lobos eram muito brancos e tinham caudas grandes como as de raposas; estavam calmos e olhavam para Serge atentamente. Aterrorizado pelo medo de ser comido, acordou gritando. 

De acordo com a análise de Freud, realizada ao longo de alguns anos, o sonho era a versão mascarada de uma cena primitiva traumática. Os seis ou sete lobos representavam os pais do paciente (a diferença numérica teria sido produzida pelo inconsciente para mascarar o verdadeiro sentido do sonho). A tranquilidade dos lobos é uma referência invertida aos movimentos violentos do ato sexual. A brancura dos animais remete à brancura dos pais sem roupas.

Os lobos olhando para a criança representam outra inversão, cujo verdadeiro sentido é a criança observando os pais. O tamanho de sua cauda significa, da mesma forma invertida, uma cauda que foi cortada – a ideia que, por sua vez, está associada ao medo de castração.


Essas e outras estratégias interpretativas permitem a Freud afirmar que o sonho era, realmente, uma lembrança mascarada da ocasião em que, aos dezoito meses de idade, o jovem Serge acordou de seu sono em uma tarde de verão no mesmo quarto em que seus pais haviam se recolhido, seminus para uma sesta. O garoto então testemunhou, por três vezes consecutivas, seu pai tendo relações sexuais com sua mãe, que estava de quatro.


Ao expor tal interpretação do sonho, Freud esperava ter descoberto o incidente primitivo traumático que originara doença. No entanto, constatou que o paciente não estava fazendo progressos. Em uma tentativa de quebrar essa “resistência”, determinou uma data para o fim do tratamento. 

Foi depois disso, segundo o relato do caso, que, após quatro anos de análise, emergiu alguma lembrança de que, em idade muito precoce, o paciente deve ter tido uma babá à qual era muito ligado.

Quando Serge tinha dois anos, ele a vira limpando o chão. Ele então urinou e ela o ameaçou com a castração. No entender de Freud, quando Serge observou a moça esfregando o chão, de joelhos, com as nádegas para cima, ele se viu mais uma vez diante da postura que sua mãe assumira na cena da copulação.


Para ele, a babá transformara-se em sua mãe, e isso provocou uma excitação sexual. Assim como seu pai, como sua ação ele interpretou como uma micção se comportou do mesmo modo diante dela. Sua micção no chão foi uma tentativa de sedução, e a garota reagiu a isso com uma ameaça de castração.

Freud relata que a data limite que ele havia estipulado para seu paciente funcionou e, em um intervalo bastante curto, a análise produziu todo o material necessário para remover as inibições do paciente e remover seus sintomas.

Parece então, pelo relato do caso, que não muito tempo depois da reconstrução desta cena quase-edípica, seu paciente curou-se. 

Fonte: portaleducacao.com.br
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